Angola deverá iniciar ainda este ano a exploração de nióbio, um minério estratégico utilizado em sectores como a indústria aeroespacial, automóvel, siderurgia e construção civil, anunciou o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo.
O projecto será desenvolvido no município de Quilengues, província da Huíla, onde está localizado o Complexo Carbonatito de Bonga e Tchivira. O governante visitou a área no último fim-de-semana e confirmou que as autoridades prevêem o início da exploração em 2026.
O anúncio foi feito na segunda-feira, dia 31 de Agosto, em Luanda, à margem da cerimónia comemorativa dos 32 anos do bloco petrolífero 15.
Segundo Diamantino Azevedo, a entrada de Angola na produção de nióbio poderá colocar o país num grupo muito restrito de produtores mundiais, actualmente liderado pelo Brasil e pelo Canadá.
“Quase 90% das reservas conhecidas mundialmente estão num único país, o Brasil, e isso torna-o um mineral crítico para o mundo. Nós, ao entrarmos na produção deste mineral, passaremos a fazer parte desse clube muito restrito”, afirmou o ministro.
O nióbio é considerado um minério estratégico devido à sua capacidade de aumentar a resistência e reduzir o peso de determinadas ligas metálicas e do aço. As suas aplicações abrangem áreas como a produção de equipamentos aeroespaciais, veículos, turbinas, estruturas metálicas e infra-estruturas.
Investimento de 136,6 milhões de dólares
O potencial de nióbio existente na região de Quilengues foi identificado há vários anos por professores e estudantes da Faculdade de Ciências, que detectaram a presença do minério nas serras da Bonga e da Chivila.
Em 2020, as autoridades angolanas concederam à empresa chinesa Sociedade NIOBONGA – Comércio Geral autorização para a prospecção e exploração do recurso. O projecto prevê um investimento estimado em 136,6 milhões de dólares.
Dados oficiais indicam que os trabalhos de prospecção já permitiram a extracção de cerca de 40 mil toneladas de material contendo nióbio.
A concessão abrange uma área de aproximadamente 400 quilómetros quadrados nas serras da Bonga e da Chivila. O período inicial da concessão é de 22 anos, podendo ser renovado até um máximo de 40 anos de exploração contínua.
Apesar da previsão de início da produção ainda este ano, o ministro não indicou uma data concreta para o arranque da exploração comercial.
Projecto já criou 1.200 postos de trabalho
De acordo com Diamantino Azevedo, o projecto já está a produzir efeitos económicos e sociais na região, tendo criado cerca de mil empregos directos e 200 indirectos, sobretudo para jovens das comunidades locais.
A iniciativa inclui igualmente projectos de responsabilidade social, entre os quais a construção de uma escola, habitações para o realojamento da população e uma albufeira destinada a assegurar o abastecimento de água ao projecto e que poderá também beneficiar as comunidades vizinhas.
O Governo trabalha ainda com o Ministério da Energia para garantir o fornecimento de electricidade a partir de fontes hidroeléctricas. Segundo o ministro, a solução poderá permitir que a energia disponibilizada ao projecto seja igualmente estendida às populações da região.
A execução do projecto implicou o deslocamento e realojamento de cerca de 400 famílias. Segundo autoridades locais citadas pela Angop, cada família recebeu uma indemnização de dois milhões de kwanzas, equivalente a menos de 1.900 euros.
Para o Governo angolano, o projecto de Quilengues poderá representar uma nova etapa na diversificação da economia e no desenvolvimento da província da Huíla.
“A partir de Quilengues vai começar a fazer-se história para o desenvolvimento de Angola”, afirmou Diamantino Azevedo.
Para o Governo angolano, o projecto de Quilengues poderá representar uma nova etapa na diversificação da economia e no desenvolvimento da província da Huíla.
“A partir de Quilengues vai começar a fazer-se história para o desenvolvimento de Angola”, afirmou Diamantino Azevedo.
Com o início da produção, Angola pretende aproveitar as reservas identificadas e conquistar uma posição num mercado mundial concentrado num número reduzido de produtores, numa altura em que a procura por nióbio cresce devido às suas aplicações em indústrias tecnológicas e sectores considerados estratégicos.