Angola regressou aos mercados internacionais de dívida com uma nova emissão de Eurobonds no valor de 1,5 mil milhões de dólares — a segunda operação do género em 2026, depois dos 2,5 mil milhões captados em março. O sinal mais revelador não é o montante emitido: é a procura. Os investidores colocaram ordens de 4,01 mil milhões de dólares — quase três vezes o valor disponível —, num voto de confiança na trajectória macroeconómica do país que o Ministério das Finanças não hesitou em sublinhar.
A operação foi estruturada como uma gestão integrada de passivos: em simultâneo com a emissão de nova dívida, Angola recomprou dois Eurobondsem circulação, alongando o perfil da dívida e reduzindo o risco de refinanciamento. Os novos títulos têm maturidades em 2031 e 2037, com taxas de 8,25% e 9,5%, respetivamente.
Em menos de cinco meses, Angola captou 4 mil milhões de dólares nos mercados internacionais. A emissão de março totalizou 2,5 mil milhões, dividida em duas tranches: 1,5 mil milhões a sete anos, com taxa de 9,25%, e mil milhões a 11 anos, a 9,8%. A de agora acrescenta 1,5 mil milhões com prazos de seis e doze anos.
O ritmo e a dimensão das emissões refletem a estratégia definida no Plano Anual de Endividamento 2026 e na Estratégia de Endividamento de Médio Prazo 2026-2028: captar recursos nos mercados internacionais para suportar a execução orçamental, mas fazê-lo de forma a equilibrar o calendário de maturidades e evitar concentrações de dívida que criem pressão sobre as reservas em anos futuros.
Dez anos de Eurobonds — 14 mil milhões de dólares captados
Angola estreou-se nos mercados internacionais de dívida em 2015, com uma emissão de 1,5 mil milhões de dólares. Desde então, acumulou mais de 14 mil milhões de dólares em emissões — um percurso que transformou o país num emitente regular nos mercados de capitais globais e que hoje permite captar financiamento com uma procura que supera largamente a oferta.
A questão que os próximos anos responderão é se a confiança dos investidores se mantém — e se Angola consegue gerir o calendário de reembolsos sem pressionar as reservas internacionais, que encerraram o primeiro trimestre de 2026 em 15,9 mil milhões de dólares.