Cultura

Angélique Kidjo faz história e torna-se a primeira artista africana com estrela no Passeio da Fama de Hollywood

Cantora beninense, cinco vezes vencedora do Grammy, dedicou a distinção “a todo o continente africano” em declarações à BBC. Cerimónia contou com a presença do actor Willem Dafoe e do presidente da Recording Academy, Harvey Mason Jr., e a cidade de Hollywood declarou o dia 18 de Agosto como “Angélique Kidjo Day”.

A cantora Angélique Kidjo, vencedora de cinco prémios Grammy, fez história esta semana ao tornar-se a primeira artista musical africana — e a primeira pessoa negra africana em qualquer categoria — a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Em declarações à BBC, a artista, natural do Benim, afirmou querer dedicar a distinção ao continente que a viu nascer: “Esta estrela é para todo o continente africano.”

A cerimónia decorreu na Hollywood Boulevard, em Los Angeles, onde Kidjo recebeu a estrela número 2.854, na categoria de Gravação (Recording). A artista, de 66 anos, foi homenageada perante uma plateia de nomes de peso da indústria da música e do cinema, incluindo o actor Willem Dafoe e o presidente executivo da Recording Academy, Harvey Mason Jr., além do actor beninense-americano Djimon Hounsou e do cantor nigeriano Adekunle Gold. A cerimónia foi apresentada pela jornalista da Variety Angelique Jackson, e a cidade de Hollywood aproveitou a ocasião para declarar oficialmente o dia 18 de Agosto como “Angélique Kidjo Day”.

“Sem nós, a música não seria possível”

Visivelmente emocionada, Kidjo aproveitou o momento para reafirmar a contribuição histórica de África para a música mundial. “Nós, africanos, não sabemos o que demos ao mundo”, disse a artista durante a cerimónia, acrescentando: “Nós, africanos, continuamos a dar ao mundo aquilo que permite que a música exista. Sem nós, não há música possível neste planeta.” A cantora sublinhou ainda que a homenagem confirma a sua visão do mundo como “uma pequena aldeia”: “Não importa de onde viemos, que língua falamos, qual a cor da nossa pele. Somos humanos. É uma única família humana.”

Harvey Mason Jr. classificou Kidjo como “uma artista rara”, destacando o seu contributo para a comunidade musical global: “O seu exemplo elevou a nossa comunidade musical global, e o seu trabalho continua a lembrar-nos que a música é mais do que entretenimento — é conexão.” Já Willem Dafoe recordou o impacto que Kidjo teve na primeira vez que a viu atuar ao vivo, elogiando “a sua imensa energia, a dança e o seu compromisso”, e destacou também o trabalho humanitário da artista.

Uma carreira de quatro décadas ao serviço da música africana

Nascida no Benim, Kidjo deixou o país em 1983 rumo a Paris, fugindo à repressão política vivida na altura. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, a artista construiu uma sonoridade única, fundindo os ritmos da sua infância na África Ocidental com influências de funk, jazz, pop e R&B, ajudando a abrir caminho para outros artistas africanos no palco internacional. O seu percurso inclui ainda uma actuação na cerimónia de reabertura da Catedral de Notre Dame, em Paris, e o reconhecimento com o prestigiado Prémio de Música Polar, atribuído pela Suécia.

Kidjo junta-se agora à actriz sul-africana branca Charlize Theron como as únicas figuras a representar o continente africano entre as mais de 2.800 estrelas da Calçada da Fama de Hollywood. O Presidente do Benim, Romuald Wadagni, saudou publicamente a distinção, afirmando que, “ao tornar-se a primeira artista africana a receber esta honra global, a ícone beninense gravou o seu nome na história e elevou os ritmos, a criatividade e a dignidade de toda a nossa nação ao mais alto nível”.

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