Gigante do comércio electrónico e da computação em nuvem torna-se a quinta empresa da história a atingir este valor, impulsionada pelo crescimento acelerado da Amazon Web Services e pela procura ligada à Inteligência Artificial
A Amazon ultrapassou, esta segunda-feira, a fasquia dos 3.000 mil milhões de dólares em capitalização bolsista pela primeira vez na sua história, tornando-se apenas a quinta empresa de sempre a atingir este marco — depois da Apple, da Microsoft, da Nvidia e da Alphabet (empresa-mãe da Google).
As acções da Amazon subiram entre 4% e 5,3% na sessão desta segunda-feira, atingindo um máximo histórico próximo dos 287 dólares, depois de um ganho de cerca de 15% registado já na sexta-feira anterior — a melhor sessão da empresa desde Maio. Em apenas dois dias de negociação, a Amazon somou mais de 550 mil milhões de dólares em valor de mercado.
O impulso decisivo veio dos resultados do segundo trimestre fiscal, divulgados a 30 de Julho, que superaram largamente as expectativas dos analistas: a Amazon Web Services (AWS), a divisão de computação em nuvem do grupo, registou uma receita de 42,2 mil milhões de dólares, acima dos 40,54 mil milhões previstos por Wall Street, com uma margem operacional de 39% — um valor extraordinariamente elevado para o sector. A receita total da empresa atingiu 200,61 mil milhões de dólares no trimestre, também acima da previsão de 196,47 mil milhões, com um lucro por acção ajustado de 1,97 dólares, face aos 1,82 dólares esperados pelo mercado.
Investimento recorde em infraestrutura de IA
O presidente executivo da Amazon, Andy Jassy, revelou aos investidores que a empresa vai investir 220 mil milhões de dólares em despesas de capital este ano — uma revisão em alta face à previsão inicial de 200 mil milhões, anunciada em Fevereiro. O investimento adicional destina-se sobretudo a centros de dados, servidores, chips de memória e semicondutores para infraestrutura de Inteligência Artificial, ainda que o orçamento cubra também robótica e tecnologia de satélites.
“Mesmo com esse valor, ainda não teremos capacidade suficiente para satisfazer toda a procura que temos em 2026, e acredito que esta dinâmica também se manterá em 2027”, afirmou Jassy, acrescentando: “De facto, a procura que já temos para 2028 é impressionante.” Segundo o gestor, a subida dos preços da memória tem sido um dos principais factores por detrás do aumento do investimento previsto.
Um percurso meteórico: de 2.000 para 3.000 mil milhões em pouco mais de dois anos
A Amazon tinha atingido pela primeira vez a fasquia dos 2.000 mil milhões de dólares em Junho de 2024, impulsionada pelo forte desempenho do retalho e pela rápida expansão da infra-estrutura de computação em nuvem. Precisou, assim, de pouco mais de dois anos para acrescentar mais 1.000 mil milhões de dólares ao seu valor de mercado — um ritmo de crescimento que reflecte a intensidade da corrida às infra-estruturas de Inteligência Artificial entre as maiores tecnológicas mundiais.
As acções da Amazon já valorizaram mais de 23% desde o início do ano. Entre os catalisadores mais recentes desta subida está ainda a conclusão de um investimento de 50 mil milhões de dólares na OpenAI, criadora do ChatGPT, que reforça a aposta da Amazon na corrida à Inteligência Artificial.
Com este marco, a Amazon junta-se a um grupo restrito de gigantes tecnológicas avaliadas acima dos 3.000 mil milhões de dólares — Apple, Microsoft, Alphabet e Nvidia, sendo esta última a empresa mais valiosa do mundo, com uma capitalização que já se aproxima dos 5.000 mil milhões de dólares. Analistas de Wall Street, incluindo Wells Fargo, Citi e Wedbush, reiteraram recomendações de compra sobre as acções da Amazon na sequência dos resultados, com a Roth Capital a elevar o seu preço-alvo de 300 para 325 dólares por acção — um sinal de que o mercado continua a apostar em novos máximos para o gigante de Seattle, à medida que a corrida global à Inteligência Artificial continua a redefinir o valor das maiores empresas tecnológicas do mundo.