A África do Sul, o país mais industrializado do continente, assumiu a presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que reúne 16 Estados-membros, com o objectivo de aprofundar o comércio e a industrialização regional, numa altura em que o bloco enfrenta um crescimento económico fraco, barreiras comerciais e uma redução da actividade industrial.
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, assumiu este mês a presidência da organização, durante a cimeira dos líderes da SADC realizada em Durban, onde o mais recente relatório sobre o estado da região destacou vários desafios que continuam a dificultar a integração económica.
O crescimento económico regional atingiu 3,4% em 2025 e deverá alcançar 3,9% em 2026. No entanto, estes valores permanecem abaixo da ambição da SADC de assegurar um crescimento sustentado, capaz de criar empregos e acelerar o desenvolvimento.
Apenas o Zimbabwe atingiu, em 2025, a meta de crescimento de 7% estabelecida pelo bloco, e nenhum dos Estados-membros deverá alcançar esse objectivo este ano, segundo a publicação Business Insider Africa.
Comércio intra-regional continua a ser um desafio
O comércio intra-regional aumentou para 20% em 2025, mas permaneceu abaixo dos níveis registados antes da pandemia. O bloco mantém nove barreiras não pautais por resolver, enquanto os diferendos comerciais, as restrições às importações e os encargos adicionais continuam a tornar mais dispendioso o comércio transfronteiriço.
A indústria transformadora constitui igualmente uma preocupação. A sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) da SADC caiu para 10,9% em 2025, muito abaixo da meta de 30% estabelecida pelo bloco para 2030.
O peso económico da África do Sul na região confere particular importância à sua presidência. Em 2024, o país exportou bens no valor de 28,3 mil milhões de dólares para os países da SADC e importou 6,8 mil milhões de dólares, de acordo com dados compilados pelo Trade Law Centre.
A SADC representou 91% das exportações intra-africanas da África do Sul, com máquinas, produtos industriais, alimentos e bens de consumo entre os principais produtos exportados.
Migração, um foco de tensão
A liderança sul-africana ocorre também num contexto marcado por tensões relacionadas com a migração. Protestos contra migrantes em situação irregular no país obrigaram dezenas de milhares de pessoas, sobretudo provenientes do Zimbabwe,Malawi e Moçambique a abandonar a África do Sul.
Ramaphosa abordou a questão durante a cimeira da SADC, afirmando que o seu país estava preocupado com a discriminação contra cidadãos de outros países. “Não podemos defender a integração nas cimeiras e praticar a exclusão nas nossas ruas”, afirmou.
Aposta nas cadeias de valor regionais
Durante o seu mandato de um ano, a África do Sul deverá concentrar a presidência da SADC na industrialização, nas cadeias de valor regionais e nas infra-estruturas, incluindo esforços para aumentar o processamento local de minerais críticos e de produtos agrícolas da região.
O Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC deverá igualmente assumir um papel mais importante, numa altura em que o bloco procura mobilizar financiamento para projectos industriais e de infra-estruturas.
Para a África do Sul, o principal desafio será transformar a sua influência económica e política no seio da organização num processo de integração económica mais profundo, numa altura em que o comércio regional continua condicionado por barreiras e o crescimento industrial permanece aquém das ambições da SADC.