Depois de 30 anos, o Standard Bank perde o mandato de custódia do Government Employees Pension Fund (GEPF), o fundo de pensões dos funcionários públicos sul-africanos e o maior do continente, num negócio que passa agora para as mãos do Absa. Mudança não deverá afectar o dia-a-dia de mais de 1,2 milhões de membros activos e 565 mil pensionistas.
O maior banco sul-africano, o Standard Bank, perdeu a custódia do Government Employees Pension Fund (GEPF), o maior fundo de pensões de África, avaliado em cerca de 3,5 biliões de rands — o equivalente a aproximadamente 215 mil milhões de dólares —, depois de 30 anos a desempenhar essa função. O contrato foi agora atribuído ao Absa, seu principal rival no mercado bancário sul-africano.
O Standard Bank actuava como custodiante do GEPF desde a criação do fundo, em 1996, resultante da fusão de vários fundos do sector público sul-africano. O Absa confirmou o novo mandato nos seus resultados intercalares, divulgados a 18 de agosto, colocando os activos envolvidos em 3,5 biliões de rands. Os activos do GEPF continuam a ser geridos pela Public Investment Corporation (PIC), sendo a função de custodiante limitada à guarda e administração dos títulos e activos financeiros do fundo — não à sua gestão de investimentos.
Um dos maiores mandatos de custódia da África do Sul
O GEPF é o maior fundo de pensões de África, contando com mais de 1,2 milhões de membros activos e mais de 565 mil pensionistas e beneficiários. Segundo a Absa, a transição de custodiante representa “uma das mais significativas mudanças de mandato de custódia no mercado de investimento institucional sul-africano”, com a instituição a sublinhar a responsabilidade que assume ao gerir os activos do maior fundo de pensões do continente.
Francinah Madise, responsável do sector público na área de Corporate and Investment Banking do Absa, destacou o peso da nomeação: “Reconhecemos que a gestão do maior fundo de pensões de África acarreta uma enorme responsabilidade. No centro desta nomeação estão os meios de subsistência e a segurança financeira a longo prazo de milhões de funcionários públicos, pensionistas e das suas famílias sul-africanos, e não encaramos com ligeireza a confiança depositada nas instituições que apoiam o Fundo.” O Absa mantém, desde 2001, uma relação bancária transaccional com o GEPF, incluindo serviços de processamento de depósitos e de banca electrónica, que se mantêm em paralelo com o novo mandato de custódia principal.
Segundo as autoridades citadas pela imprensa sul-africana, a mudança é sobretudo institucional e não deverá afectar a experiência quotidiana dos membros e pensionistas do fundo, esperando-se, pelo contrário, que reforce a governação, a transparência e a supervisão dos activos geridos.
Um golpe para o Standard Bank, líder da custódia em África
A perda deste mandato representa um revés significativo para o Standard Bank, que se tinha consolidado nos últimos anos como o maior prestador de serviços de custódia do continente africano, com activos sob custódia, administração e fideicomisso que ultrapassavam os 10 biliões de rands (cerca de 708 mil milhões de dólares) em dados anteriores. O contrato com o GEPF tinha sido renovado por mais um período de cinco anos em anos recentes, incluindo a expansão do mandato para serviços de empréstimo de valores mobiliários — renovação que a própria instituição tinha então apontado como prova das suas “fortes capacidades” nesta área de negócio.
A mudança de custodiante surge numa altura de forte concorrência entre os grandes bancos sul-africanos pelos lucrativos contratos institucionais ligados à gestão de activos do sector público, com o Absa a reforçar assim a sua presença na banca transaccional e de investimento junto de grandes clientes institucionais do país.