Angola continua a viver entre conquistas e desafios, 50 anos depois da proclamação da independência, em 11 de Novembro de 1975.
Meio século de história em que a economia foi profundamente moldada por guerras, petróleo e sucessivas tentativas de diversificação.
A independência, conquistada após quase cinco séculos de colonização portuguesa, abriu caminho a uma longa guerra civil que devastou o país até 2002. Durante esse período, as prioridades económicas foram ditadas pelas urgências da guerra: recursos drenados para o esforço militar, destruição de infra-estruturas e êxodo rural que travaram o desenvolvimento agrícola e industrial.
Com o fim do conflito, o país entrou num dos períodos de crescimento mais acelerados do continente. Impulsionada pelo boom do petróleo, a economia angolana registou taxas anuais superiores a 10%, e Luanda transformou-se num dos grandes centros económicos de África. O petróleo tornou-se o motor quase exclusivo da economia, chegou a representar cerca de 50% do PIB e mais de 90% das exportações.
Mas a paz expôs fragilidades estruturais. A falta de diversificação, a corrupção e a desigualdade social deixaram o crescimento dependente das flutuações do mercado internacional. A queda abrupta do preço do petróleo, em 2014, mergulhou Angola numa crise profunda: o kwanza desvalorizou, a inflação disparou e o endividamento público cresceu.
Nos últimos anos, o Governo liderado pelo Presidente João Lourenço procurou inverter essa tendência. As reformas macro-económicas, o combate à corrupção e os programas de privatização (PROPRIV) e de substituição de importações (PRODESI) marcaram o novo ciclo político. O objetivo é claro: reduzir a dependência do petróleo e estimular sectores como a agricultura, a indústria transformadora e o turismo.
Apesar dos progressos, os desafios persistem. A economia continua vulnerável, o desemprego juvenil ronda níveis críticos e a inflação fragiliza o poder de compra das famílias. Especialistas apontam que o país precisa transformar o crescimento económico em desenvolvimento efectivo, com mais emprego e melhores salários.
Cinquenta anos depois, Angola é um país em reconstrução permanente, com vastos recursos naturais e humanos, mas ainda à procura de um modelo económico sustentável e inclusivo.