Luanda continua a liderar, mas com redução de 21% no orçamento. O aumento global da despesa provincial em 2026 reflecte uma tendência de reforço da descentralização orçamental.
Apesar da quebra global, o documento preliminar do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026, entregue à Assembleia Nacional a 31 de Outubro, mostra que Luanda, Uíge, Benguela, Huíla e Huambo continuam a ser as províncias com maior peso na despesa pública nacional.
Em conjunto, estas cinco regiões deverão absorver 4,4 biliões de kwanzas (equivalentes a 4,8 mil milhões de dólares), um crescimento de 10,4% em relação ao OGE de 2025, que fixava o total em 4 biliões Kz.
Luanda mantém a liderança. De acordo com cálculos do Polígrafo África, baseados na rubrica “Resumo da Despesa por Local”, Luanda, governada por Luís Nunes, continua a liderar o ranking das províncias mais orçamentadas.
Mesmo somando os montantes atribuídos ao Uíge, Benguela, Huíla e Huambo (1,9 biliões Kz), o valor fica abaixo do reservado à capital.
Ainda assim, Luanda regista uma redução de 21% face ao OGE 2025, passando de 3,2 biliões Kz para 2,53 biliões Kz, após correcção dos valores anteriores.
Uíge sobe ao segundo lugar. A província governada por José da Rocha, ascende à segunda posição, com um orçamento de 510,7 mil milhões Kz (aproximadamente 554 milhões USD), face aos 480,9 mil milhões Kz do exercício em vigor.
O aumento de 6,2% reforça o peso da província, que conta com 686.667 habitantes, na alocação de recursos do Estado.
Benguela fecha o pódio. A província sob governação de Manuel Nunes Júnior, ocupa o terceiro lugar, com 495,6 mil milhões Kz (cerca de 537,5 milhões USD) destinados a despesas em 2026. O valor, contudo, representa uma redução de 8,3% face aos 540,6 mil milhões Kz inscritos no OGE 2025.
Huíla e Huambo completam o “top five”. A Huíla, governada por Nuno Mahapi, contará com 469,8 mil milhões Kz (509,5 milhões USD), um decréscimo de 8,2% em relação ao orçamento anterior.
Já o Huambo, liderado por Pereira Alfredo, beneficiará de 465,3 mil milhões Kz (504,6 milhões USD), o que traduz um acréscimo de 9% face aos 427 mil milhões Kz de 2025.
O aumento global da despesa provincial em 2026 reflecte uma tendência de reforço da descentralização orçamental, embora algumas províncias — nomeadamente Luanda e Benguela — registem ajustes negativos face ao exercício anterior.