Mercado & Finanças

Angela Kaya Mwanza

Um percurso ímpar da Zâmbia rural ao centro financeiro de Nova Iorque

Angela Kaya Mwanza é uma referência no mundo da gestão de património privado e do investimento sustentável. Tem as raízes na Zâmbia e uma carreira internacional feita na Europa e nos Estados Unidos.

Angela Mwanza nasceu e cresceu na Zâmbia. Estudou num colégio interno no Zimbabué até aos 13 anos. A família continuava na Zâmbia, mas, adolescente, foi viver para a Europa, para a Alemanha, onde aprendeu alemão e se licenciou em Linguística pela University of Konstanz (Universidade de Constança), uma cidade alemã próxima das fronteiras suíça e austríaca. Enquanto estudava, trabalhava numa empresa de roupa desportiva especializada em snowboard — um desporto relativamente estranho para uma africana — que Angela aprendeu e ainda hoje pratica.

No final da década de 1990, Angela mudou de vida e de país, passou para os Estados Unidos, onde tirou um MBA na Cornell University. Quando se mudou para os Estados Unidos para frequentar a Cornell, Angela teve de construir conhecimentos e competências a partir do zero. Admite que, até então, nunca tinha ouvido falar do Wall Street Journal.

Em 2000, entrou no JP Morgan Private Bank. A crise financeira de 2008 apanhou-a no olho do furacão: trabalhava, na altura, no Lehman Brothers. Abandonou o barco e passou para o UBS, para o Private Wealth Management. Mais tarde, fundou a Richards & Mwanza, vocacionada para famílias com elevadíssimo valor patrimonial — dito de outro modo, muito, muito ricas. Mais recentemente, foi nomeada Managing Director and Private Advisor na Rockefeller Capital Management, em Nova Iorque.

África esteve sempre no seu caminho e fez parte do conselho de supervisão da Jumia Technologies AG (ticker JMIA), uma empresa de comércio eletrónico com presença em África.

O que diferencia Angela de outros gestores é o foco muito deliberado nas famílias. Procura pensar de “forma geracional”, isto é, envolvendo sempre as famílias — e, em particular, as gerações futuras — nos investimentos. Promove e partilha com os seus clientes a ideia de deixar um mundo melhor, centrando-se em investimentos socialmente responsáveis e com impacto positivo no mundo.

Este cuidado com o dinheiro dos outros leva Angela a apostar em investimentos com retorno de longo prazo, ajustados ao risco e fiscalmente eficientes. Assume que tanto ela como a sua equipa são “moderadamente conservadores”.

Angela adora desafiar os seus próprios limites, no trabalho e na vida. “Não me digam que não sou capaz de fazer algo”, diz, “porque é isso mesmo que eu farei — ou, pelo menos, tentarei fazer.” Já correu seis maratonas (uma em Boston, cinco em Nova Iorque) e escalou o Kilimanjaro.

Mwanza também gosta de viajar, na companhia do marido, para lugares onde possa observar espécies em perigo, como rinocerontes na Ásia ou tartarugas nas Galápagos.

Entretanto, não gosta que olhem para ela como uma “banqueira” de Wall Street, porque, insiste, a capacidade que tem de estabelecer relações de confiança com os seus clientes vai muito para além do negócio e dos investimentos.

A sua reputação é marcada pela defesa de práticas éticas, pelo networking global e pelo apoio a projetos de inclusão financeira, sendo frequentemente consultada por organizações e empresas interessadas nas melhores práticas internacionais de sustentabilidade e responsabilidade social.

Há que evidenciar que as origens africanas, combinadas com a educação europeia e norte-americana, e uma carreira muito sólida e constante na área do investimento nos Estados Unidos, lhe conferem uma sensibilidade muito particular — uma sensibilidade multicultural.

Mulher, africana e líder global, representa uma voz que mistura género, raízes africanas e liderança mundial.

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