Os preços do petróleo prolongam a tendência de alta na sessão de hoje, o que reflecte os receios crescentes quanto ao aperto na oferta global, num cenário marcado pelo aumento da pressão dos Estados Unidos sobre países como a Rússia, Irão, Índia e China.
O Brent valorizava 0,07%, para 73,29 dólares por barril, e o West Texas Intermediate (WTI) subia 0,10%, para 70,07 dólares.
Segundo a Bloomberg, o Brent encerrou a sessão anterior no valor mais elevado desde 20 de Junho, impulsionado pelo endurecimento da política externa norte-americana.
O presidente Donald Trump ameaçou aplicar tarifas de 25% sobre exportações indianas e sanções às compras de petróleo russo por parte da Índia, numa estratégia designada como “sanções secundárias”.
A China, maior importador de petróleo russo, também foi advertida sobre possíveis medidas punitivas caso mantenha as importações.
No mesmo tom, os EUA anunciaram novas sanções ao Irão, abrangendo mais de 115 entidades e indivíduos ligados ao setor energético, no que constitui o maior pacote desde 2018.
A Bloomberg destaca que estas medidas aumentam os receios de restrições na oferta global, com impacto nos preços de produtos refinados como o gasóleo.
Apesar da retórica agressiva, o mercado mantém cautela quanto a possíveis acções concretas por parte da administração norte-americana.
Para Vandana Hari, analista da Vanda Insights, a hesitação dos investidores em desafiar Washington revela que o prémio de risco associado à Rússia continua reflectido nos preços.
Por outro lado, dados divulgados pela Administração de Informação de Energia (EIA) mostraram uma subida inesperada de 7,7 milhões de barris nos inventários de crude nos EUA, o maior aumento semanal desde janeiro.
No entanto, a queda de 2,7 milhões de barris nas reservas de gasolina sinaliza uma procura elevada, típica da época de verão, o que ajudou a equilibrar o impacto da acumulação de crude.
O foco do mercado volta-se agora para a reunião da OPEP+ agendada para o fim de semana, onde será discutida a política de produção para setembro, com a expectativa de um novo aumento na oferta.