O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Governo lançam hoje o Relatório do Foco do País: Angola 2026, subordinado ao tema “Mobilização de Financiamento para o Desenvolvimento de Angola em Escala, num Mundo Fragmentado”. Segundo uma nota enviada aos media, o documento analisa os desafios e as oportunidades relacionados com a mobilização de recursos financeiros para impulsionar o desenvolvimento do país, num contexto internacional marcado por transformações económicas e crescentes dificuldades no financiamento do desenvolvimento.
O relatório surge como o desdobramento, a nível nacional, do tema central escolhido pelo BAD para as suas Perspectivas Económicas de África 2026, apresentadas em Maio, durante as reuniões anuais da instituição em Brazzaville, na República do Congo — “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”. Nesse documento, o BAD já tinha identificado Angola como um caso relevante de análise, prevendo um crescimento económico moderado de 2,9% em 2026 e de 3,3% em 2027, impulsionado sobretudo pela subida dos preços do petróleo, pelo investimento no agronegócio, pela logística associada ao Corredor do Lobito e por cerca de dois mil milhões de dólares em projectos de mineração não diamantífera e de terras raras.
Ainda segundo essas projecções, o défice orçamental angolano deverá descer para menos de 3% do PIB entre 2026 e 2027, à medida que as receitas petrolíferas melhorem os saldos fiscais, enquanto o rácio dívida/PIB deverá manter-se estável em torno dos 48,2%, apoiado por excedentes primários. O excedente da conta corrente, impulsionado pelas exportações de petróleo, deverá também subir para 3,4% do PIB em 2026.
Para fazer face aos desafios estruturais do financiamento do desenvolvimento, o BAD tem defendido que Angola deve reforçar a gestão da dívida, a transparência fiscal e a credibilidade financeira do país, além de diversificar as fontes de capital através de parcerias público-privadas, garantias apoiadas por bancos multilaterais de desenvolvimento, obrigações verdes e azuis, remessas da diáspora — que já ultrapassam mil milhões de dólares por ano — e mecanismos de financiamento baseados na natureza, alinhados com infraestruturas resilientes às alterações climáticas.
A estratégia do BAD para Angola está alinhada com a Visão 2050 do país, o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 e o Documento de Estratégia do País 2024-2029, que privilegia a diversificação económica e a industrialização impulsionada pelo sector privado, apoiada por investimentos em infraestruturas e capital humano.