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Fundo soberano de Abu Dhabi investe mil milhões de dólares na chinesa Luckin Coffee

O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, chegou a acordo para adquirir uma participação minoritária significativa na Luckin Coffee, a maior cadeia de café da China, reforçando os laços económicos crescentes entre os dois países. O investimento, avaliado em cerca de mil milhões de dólares, é feito em conjunto com a Centurium Capital, sociedade de capital de risco accionista de controlo da Luckin.

Segundo um documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), datado de 9 de Setembro, a operação está estruturada através da sociedade Success Cup Limited e deverá dar a uma afiliada do Mubadala o direito de nomear um administrador para o conselho da Luckin, mantendo uma participação mínima de 5% numa base totalmente convertida. Em conjunto, o Mubadala e entidades ligadas à Centurium deverão reportar uma participação beneficiária conjunta de cerca de 22,1% na Luckin, também numa base totalmente convertida. As partes não divulgaram, contudo, o montante exacto investido pelo Mubadala, a dimensão final da sua participação, nem a avaliação implícita da Luckin Coffee na operação, que permanece sujeita às habituais condições de fecho.

Fundada em 2017, em Xiamen, a Luckin Coffee tornou-se uma das cadeias de café de crescimento mais rápido da China, operando actualmente mais de 36 mil lojas em todo o mundo — entre a China, Hong Kong, Singapura, Malásia e Estados Unidos —, com quase 500 milhões de clientes acumulados até 30 de Junho deste ano. A marca é conhecida pela forte aposta em tecnologia para optimizar a experiência do cliente, através de um modelo de retalho assente no envolvimento digital, em dados e em actualizações rápidas de produto.

A empresa é também conhecida por um passado turbulento: em 2020, uma investigação interna revelou transacções fabricadas, tendo a própria SEC alegado mais tarde que a Luckin fabricou deliberadamente mais de 300 milhões de dólares em vendas de retalho — um escândalo contabilístico que levou à retirada da empresa da bolsa Nasdaq e a um acordo de 180 milhões de dólares para resolver as acusações de fraude contabilística, sem que a Luckin tenha admitido ou negado as alegações. Actualmente, as acções da empresa continuam a ser negociadas em mercado de balcão nos Estados Unidos, sob o símbolo LKNCY, tendo fechado a 33,55 dólares a 8 de Setembro, uma queda diária de 3,6%.

“Continuamos a ver oportunidades de longo prazo bastante atractivas no sector de consumo chinês”, afirmou Mohamed Albadr, responsável pela área de capital de risco privado na Ásia do Mubadala, em comunicado. “Com base na nossa parceria de longa data com a Centurium, esperamos trabalhar em conjunto com a equipa de gestão da Luckin Coffee para apoiar a próxima fase de crescimento da empresa, tanto na China como internacionalmente.” Já Michael Chen, sócio da Centurium Capital — que assumiu o controlo da Luckin em 2022, na sequência da recuperação da empresa após o escândalo contabilístico —, declarou estar confiante de que “o conhecimento sectorial do Mubadala, combinado com a sua perspectiva global e rede de contactos, vai apoiar a inovação contínua e o desenvolvimento de longo prazo da Luckin Coffee”.

O negócio surge numa altura em que a Luckin regista um crescimento extraordinário, incluindo a entrada no mercado norte-americano, ao mesmo tempo que investe centenas de milhões de dólares em torrefacção, processamento e aquisição de café. Segundo a consultora Grand View Research, o mercado chinês de café poderá gerar receitas de 5,36 mil milhões de dólares até 2033, com uma taxa de crescimento anual composta de 6,4% entre 2026 e 2033.

O investimento junta-se a uma presença já significativa do Mubadala na China: desde a sua entrada no mercado chinês, em 2015 — através do Fundo de Cooperação China-EAU, de dez mil milhões de dólares —, o fundo já investiu mais de 20 mil milhões de dólares no país, em mais de cem operações, consolidando-se como um dos fundos soberanos mais activos do mundo, mesmo num contexto marcado pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão. No início deste ano, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi visitou Pequim para conversações sobre o alargamento das relações económicas e diplomáticas entre os dois países. Ainda assim, e apesar do crescimento dos fluxos de investimento chinês, os Estados Unidos continuam a representar 44% dos 385 mil milhões de dólares em activos sob gestão do Mubadala.

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