Internacional

UE e Canadá preparam nova aliança para responder à rivalidade entre EUA e China

A União Europeia e o Canadá estão a trabalhar para formar uma relação mais profunda e abrangente, que deverá cobrir áreas como o comércio e a segurança, numa tentativa dos dois parceiros transatlânticos de equilibrar a política de poder global actualmente dominada pelos Estados Unidos e pela China, avança a Bloomberg, citando fontes conhecedoras dos preparativos.

Segundo a agência norte-americana, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá anunciar os planos para esta nova aliança no seu discurso sobre o Estado da União, marcado para 16 de Setembro, em Estrasburgo, França. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, deverá assistir ao discurso e, no dia seguinte, dirigir-se aos eurodeputados no Parlamento Europeu.

De acordo com um responsável canadiano ouvido pela Bloomberg, sob condição de anonimato, o governo de Carney fez do aprofundamento da parceria com a União Europeia uma das suas prioridades, estando activamente a explorar todas as vias possíveis de cooperação, com excepção de uma eventual adesão formal à UE. As conversações entre as duas partes estarão particularmente centradas em “capacidades estratégicas”, nomeadamente cooperação na área da defesa, exploração espacial e investigação científica.

Este movimento surge no seguimento de uma aproximação que já vem sendo construída ao longo do último ano. Em Junho de 2025, na Cimeira União Europeia-Canadá, em Bruxelas, os líderes das duas partes — Mark Carney, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a própria Ursula von der Leyen — anunciaram já a chamada “Nova Parceria Estratégica para o Futuro” entre o Canadá e a UE, tendo adoptado nessa ocasião uma Parceria de Segurança e Defesa. Em Julho, as duas partes lançaram ainda um novo diálogo de política industrial, com o objectivo de proteger e criar emprego de ambos os lados do Atlântico e de diversificar cadeias de abastecimento.

A relação entre a União Europeia e o Canadá assenta actualmente em dois acordos-chave, ambos em vigor provisório desde 2017: o Acordo de Parceria Estratégica (SPA), que estabelece um quadro de cooperação reforçada em áreas como segurança, defesa, clima, energia, investigação e inovação; e o Acordo Económico e Comercial Global (CETA), que facilita o comércio bilateral através da redução de tarifas e da eliminação de direitos aduaneiros sobre a maioria dos bens transaccionados. Segundo dados da União Europeia, desde a entrada em vigor destes acordos, o comércio entre as duas partes aumentou de forma significativa, tendo as trocas de bens e serviços atingido, em 2024, 76 mil milhões de euros e 48,9 mil milhões de euros, respectivamente — subidas de 63% e 90% face a 2016.

A intenção de aprofundar esta parceria surge num contexto de crescente incerteza geopolítica e comercial a nível global, marcado por tensões comerciais entre os Estados Unidos e vários dos seus parceiros tradicionais, incluindo a própria União Europeia e o Canadá, bem como por uma rivalidade estratégica cada vez mais acentuada entre Washington e Pequim — um cenário que tem levado Bruxelas e Otava a procurar diversificar alianças e reduzir a dependência de ambas as potências.

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