Mercados Financeiros

Fundo soberano da Arábia Saudita reforça aposta em investidores estrangeiros em Nova Iorque

O Fundo Público de Investimento (PIF), o fundo soberano da Arábia Saudita, vai reunir-se esta semana, em Nova Iorque, com algumas das maiores instituições financeiras de Wall Street, numa tentativa de angariar apoio internacional para os seus planos de investimento, num momento em que o fundo enfrenta restrições de liquidez no mercado interno.

Segundo pessoas conhecedoras do assunto, citadas pela Bloomberg e pela Semafor, a delegação do PIF será composta pela sua gestão de topo, acompanhada por representantes de algumas das suas maiores participadas, entre as quais a empresa de inteligência artificial HUMAIN, o King Abdullah Financial District, em Riade, e a promotora de resorts de luxo Red Sea Global. A delegação deverá reunir-se com investidores como a Apollo, a Blackstone, a Brookfield, a Carlyle, a KKR e a Stonepeak, além do Export-Import Bank dos Estados Unidos.

Segundo as mesmas fontes, a delegação saudita não está a angariar capital para nenhum projecto específico nesta ronda de encontros, organizada pelo banco de investimento norte-americano Lazard. O objectivo dos encontros é sobretudo familiarizar os investidores com o PIF e com o seu portefólio de participadas, preparando terreno para futuras operações de angariação de dívida ou capital junto de investidores globais.

O PIF tem vindo a reforçar os esforços para atrair investidores estrangeiros, à medida que procura reduzir a sua dependência do financiamento directo por parte do Estado saudita e submeter os seus planos a um maior escrutínio externo. O fundo, avaliado em quase mil milhões de dólares — nalgumas estimativas próximo dos 930 mil milhões de dólares em activos sob gestão — e presidido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, gastou centenas de milhares de milhões de dólares na última década na criação de empresas e no desenvolvimento de projectos imobiliários de grande escala, no âmbito da estratégia de diversificação económica Visão 2030.

Nem todos esses investimentos tiveram, contudo, o retorno esperado. O PIF retirou o financiamento ao novo torneio de golfe LIV Golf, depois de ter injectado cerca de cinco mil milhões de dólares no projecto sem qualquer retorno visível. Também o NEOM, o vasto projecto imobiliário na costa ocidental do reino, foi significativamente reduzido em escala, depois de consumir 64 mil milhões de dólares com poucos resultados concretos até ao momento.

Outros investimentos têm, porém, registado maiores progressos. A HUMAIN, a start-up de inteligência artificial lançada pelo próprio PIF, tem vindo a assinar parcerias com várias empresas tecnológicas norte-americanas, afirmando já estar a atrair financiamento externo para os seus centros de dados — incluindo, segundo dados anteriores, um investimento de três mil milhões de dólares em torno da xAI de Elon Musk, e um acordo com a petrolífera estatal Aramco para a aquisição de uma participação minoritária significativa na empresa, unificando os esforços de inteligência artificial das duas entidades. Já a Red Sea Global abriu vários resorts turísticos de luxo na costa ocidental saudita e planeia expandir-se para outros mercados internacionais.

A operação desta semana em Nova Iorque insere-se ainda numa estratégia mais ampla de reforço da presença do PIF nos Estados Unidos, que já conta com um escritório próprio na cidade — a USSA International —, criado para gerir um portefólio de acções norte-americanas avaliado em cerca de 35 mil milhões de dólares, que inclui participações em empresas como a BlackRock, a JPMorgan Chase e a Uber Technologies.

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