A Tunísia mantém, em Agosto de 2026, a posição de país africano com a moeda mais forte face ao dólar norte-americano, seguida pela Líbia e por Marrocos, segundo dados do calculador de moedas da Forbes.
O ranking, que compara as moedas pelo número de unidades necessárias para comprar um dólar norte-americano, coloca o dinar tunisino na primeira posição, com cerca de 2,96 dinares por dólar. O dinar líbio surge em segundo, a 6,41, enquanto o dirham marroquino ocupa a terceira posição, com 9,38 unidades por dólar.
A lista é completada pelo cedi do Gana, na quarta posição, com 11,64 unidades por dólar; pela rupia das Seicheles, na quinta, com 13,52; e pelo pula do Botswana, na sexta, com 13,77.
A Eritreia ocupa o sétimo lugar, com o nakfa a 15 unidades por dólar. A África do Sul aparece em oitavo, com o rand a 16,74, seguida pelo ESwatini, cujo lilangeni se situava em 16,80. A Namíbia fecha o grupo dos dez primeiros, também com 16,80 unidades da sua moeda por dólar.
Ranking das moedas africanas mais fortes em Agosto de 2026:
País Moeda cotação/dólar
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Tunísia |
Dinar Tunisino |
2,96 |
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Líbia |
Dinar Líbio |
6,41 |
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Marrocos |
Dirham Marroquino |
9,38 |
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Gana |
Cedi |
11,64 |
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Seychelles |
Rupia |
13,52 |
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Botswana |
Pula |
13,77 |
|
Eritrea |
Nakfa |
15,00 |
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África do Sul |
Rand |
16,80 |
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ESwatini |
Lilangeni |
16,80 |
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Namíbia |
Dólar Namibiano |
16,80 |
Angola fora dos dez primeiros
Angola não aparece entre as dez moedas africanas com maior valor nominal face ao dólar. O facto é relevante para uma economia fortemente dependente da importação de combustíveis, equipamentos, tecnologia, medicamentos e matérias-primas.
Uma moeda relativamente forte ou estável pode reduzir o montante de moeda nacional necessário para pagar produtos cotados em dólares. Este efeito pode beneficiar empresas importadoras, consumidores e as próprias contas públicas, ao aliviar o custo de determinadas importações.
Por outro lado, uma moeda mais fraca aumenta o custo dos produtos adquiridos no exterior e pode exercer pressão adicional sobre os preços internos, sobretudo em economias onde uma parte significativa dos bens de consumo e dos factores de produção é importada.
África do Sul ganha destaque
Entre os países da África Austral, a posição da África do Sul merece particular atenção. O rand aparece em oitavo lugar no ranking de Agosto e registou recentemente uma valorização significativa.
Segundo a agência Reuters, a 21 de Agosto, o rand atingiu o nível mais elevado desde o início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, beneficiando da subida dos preços do ouro e da fraqueza do dólar norte-americano. No final da semana anterior, a moeda sul-africana era negociada a 15,9925 rands por dólar, cerca de 0,8% acima do fecho anterior.
A evolução do rand demonstra também que a posição de uma moeda pode mudar rapidamente em função dos preços das matérias-primas, dos fluxos de capitais, das perspectivas económicas e do comportamento do dólar.
Uganda mostra outra realidade
O Uganda oferece um exemplo diferente. Embora o xelim ugandês esteja muito abaixo das moedas que lideram o ranking em termos de valor nominal — cerca de 3.700 xelins por dólar — a moeda tem vindo a beneficiar de entradas de divisas.
A 20 de Agosto, segundo a Reuters, o xelim era negociado entre 3.715 e 3.725 unidades por dólar, apoiado, entre outros factores, por entradas de moeda estrangeira provenientes de organizações de caridade e de exportadores de matérias-primas.
Isto demonstra que uma moeda não precisa de ter um elevado valor nominal para apresentar um desempenho positivo. A estabilidade e a trajectória de valorização são igualmente importantes para a economia.
Mais do que um indicador cambial
Uma moeda forte não significa necessariamente que a economia de um país seja mais desenvolvida ou mais rica. O valor nominal de uma moeda é influenciado por vários factores, incluindo a política monetária, regimes cambiais, inflação, reservas internacionais e decisões históricas de denominação da moeda.
Ainda assim, a estabilidade cambial pode representar uma vantagem importante para países dependentes de importações. Quando a moeda nacional mantém o seu valor, empresas e consumidores precisam de menos moeda local para adquirir bens e serviços cotados em dólares.
Combustíveis, medicamentos, maquinaria, equipamentos tecnológicos e matérias-primas podem, assim, sofrer menor pressão de custos, contribuindo para limitar a transmissão da desvalorização cambial aos preços.
Para Angola, onde a evolução do kwanza continua a ter impacto directo no custo das importações e no poder de compra, o comportamento das principais moedas africanas constitui um importante indicador a acompanhar.
O ranking de Agosto mostra, contudo, que a chamada “força” de uma moeda deve ser analisada para além do simples número de unidades necessárias para comprar um dólar: estabilidade, inflação, reservas cambiais, capacidade exportadora e confiança dos investidores são factores determinantes para avaliar a verdadeira robustez de uma moeda.