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EUA financiam terras raras em África, incluindo em Angola, depois de investidores privados evitarem o sector

Agência norte-americana de financiamento ao desenvolvimento (DFC) já comprometeu 62,8 milhões de dólares em projectos no Malawi, em Angola, em Madagáscar e na África do Sul, num esforço de Washington para reduzir a dependência da China neste sector estratégico. Nenhum dos projectos entrou ainda em produção.

A norte-americana International Development Finance Corporation (DFC) está a avançar com o financiamento da produção de terras raras em África, numa altura em que os investidores privados continuam relutantes em apostar no sector — considerado uma das principais frentes de disputa entre Washington e Pequim. Segundo dois responsáveis da DFC citados pela Reuters, a agência já comprometeu 62,8 milhões de dólares em projectos de terras raras no Malawi, em Angola, em Madagáscar e na África do Sul, ainda que nenhum destes projectos tenha, até ao momento, chegado à fase de produção.

A maior fatia deste financiamento — cerca de 50 milhões de dólares — foi direccionada para o projecto de Phalaborwa, na África do Sul, apoiado pela investidora mineira TechMet, sediada em Dublin. “Não estamos a ver capital privado a entrar”, admitiu um dos responsáveis da DFC, sob condição de anonimato, por não estar autorizado a comentar publicamente o assunto. “Estamos a tentar ajudar os projectos a atingir um estágio de menor risco e a tornarem-se atractivos para o investimento do sector privado.”

Angola entre os países apoiados

Em Angola, a DFC apoiou a Pensana Plc, empresa britânica de minerais de terras raras, através de financiamento para o desenvolvimento de instalações de refinação no país. O investimento visa avançar com trabalhos de teste na mina de neodímio e praseodímio do Longonjo, considerada um dos maiores projectos de terras raras em desenvolvimento a nível mundial. Segundo a própria DFC, esta transacção tem como objectivo contrariar o domínio chinês nas cadeias de fornecimento destes minerais e criar uma fonte independente de terras raras para abastecer os mercados dos Estados Unidos e dos seus aliados.

Uma corrida geopolítica pelos minerais críticos

Os Estados Unidos têm procurado diversificar as suas importações de terras raras — minerais essenciais para tecnologia e defesa —, cuja produção está actualmente concentrada, na sua maioria, na China. Pequim controla hoje cerca de 60% da extracção mundial de terras raras e mais de 85% da capacidade de refinação global, o que obriga grande parte da produção mundial a ser enviada para território chinês antes de poder ser utilizada. No ano passado, a China ameaçou impor restrições à exportação destes minerais, gerando forte apreensão na indústria norte-americana.

Embora África detenha algumas das maiores reservas mundiais de terras raras, muitas delas encontram-se em países com infraestruturas insuficientes, o que agrava as preocupações dos investidores privados — já de si receosos de que uma eventual intervenção chinesa nos mercados globais possa comprometer a viabilidade económica dos projectos. Segundo os responsáveis da DFC, os investidores privados continuam, em larga medida, pouco disponíveis para financiar projectos africanos de terras raras, apesar da sua importância estratégica para reduzir a dependência dos Estados Unidos face à China.

As terras raras são essenciais para o fabrico de ímanes permanentes usados em veículos eléctricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa. Segundo Olimpia Pilch, responsável de estratégia da Critical Minerals Africa, o número de projectos de terras raras anunciados em todo o continente já supera a procura projectada para ímanes de terras raras de alta resistência — o que levanta dúvidas sobre a viabilidade comercial de todos os projectos actualmente em curso. Ainda assim, os responsáveis da DFC sublinham que o papel da agência é precisamente o de ajudar estes projectos a atingirem um estágio suficientemente consolidado para conseguirem atrair, mais tarde, investimento comercial privado. África representa hoje entre 20% a 25% de toda a carteira global de investimentos da DFC.

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