Economia

Infraestruturas e logística entram no centro da estratégia para dinamizar a economia real em Angola

Angola prevê mais de 78 mil milhões de kwanzas em receitas com novas infraestruturas, enquanto o Executivo aposta na melhoria das estradas, na logística e no apoio à produção agrícola para reduzir custos, facilitar o escoamento e reforçar a competitividade da economia nacional.

A articulação entre infraestruturas rodoviárias, corredores logísticos e programas de fomento da produção nacional esteve no centro da 23.ª edição do CaféCIPRA, que reuniu os ministros das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Agricultura e Florestas, Indústria e Comércio e Transportes. A estratégia procura responder aos constrangimentos ainda registados nas vias secundárias e terciárias e na cadeia de distribuição, considerados obstáculos ao aproveitamento do potencial agrícola e industrial do país.

No domínio das infraestruturas fronteiriças e rodoviárias, estão em curso iniciativas como a inauguração do posto fronteiriço de Luvo, na província do Zaire, e o lançamento das obras do posto de Xangongo, no Cunene. O custo estimado de cada posto ronda os 276 milhões de kwanzas, enquanto a construção dos 14 postos previstos representa um investimento próximo dos três mil milhões de kwanzas. As projecções indicam receitas superiores a 72 mil milhões de kwanzas na primeira fase, entre 2025 e 2029, e cerca de 6,3 mil milhões de kwanzas numa segunda fase, entre 2026 e 2029, com crescimento anual estimado de 5%.

Mais do que ampliar a capacidade de arrecadação, os projectos pretendem melhorar a segurança e a eficiência da circulação rodoviária, reduzir custos e tempos de viagem e reforçar as ligações comerciais e turísticas. O ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos dos Santos, destacou que a prioridade incide sobre os troços que ligam os principais polos de produção aos centros de consumo e às fronteiras terrestres. O plano inclui a continuidade das intervenções nas estradas nacionais e a expansão dos trabalhos nas vias secundárias e terciárias, complementados pelo Plano Nacional de Portagens e pela instalação de balanças de controlo de peso por eixo.

A melhoria das estradas é também apontada como condição para aumentar a rentabilidade da produção agrícola. O ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, defendeu que o acesso às zonas de produção é determinante para o escoamento das colheitas do PLANAGRÃO e para a expansão do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC). Estradas em melhores condições deverão reduzir as perdas pós-colheita, sobretudo de produtos perecíveis, e facilitar a entrada de sementes, fertilizantes e maquinaria nas zonas agrícolas do interior.

A estratégia prevê igualmente uma mudança no modelo de apoio à agricultura, com o fim da doação directa de insumos aos produtores e uma maior orientação para a agricultura comercial. Neste contexto, programas como o PLANAGRÃO e o PRODESI assumem importância no aumento da produção de grãos, na substituição de importações e na criação de capacidade para exportação. O país trabalha ainda no reforço da produção local de vacinas, incluindo a vacina contra a doença de Newcastle, com impacto sobretudo na avicultura, além de iniciativas relacionadas com o combate ao carbúnculo e ao sintomático.

Na indústria e comércio, a redução dos custos logísticos é vista como um dos factores para tornar a produção nacional mais competitiva. O ministro Rui Miguêns de Oliveira destacou a necessidade de fortalecer a rede de entrepostos e melhorar os acessos rodoviários, permitindo que os produtos nacionais cheguem aos consumidores com menores custos de distribuição. A melhoria do transporte de matérias-primas deverá, por outro lado, apoiar a indústria transformadora e ampliar a participação das empresas na iniciativa “Feito em Angola”.

A componente logística completa-se com a reorganização do transporte de mercadorias e a estruturação dos corredores de escoamento. O ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d’Abreu, apontou a articulação entre os transportes rodoviário, ferroviário e marítimo como essencial para ligar os grandes centros de produção aos mercados de consumo, portos e pontos de exportação. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) participa no processo de regulação e profissionalização do transporte de mercadorias.

Com esta abordagem integrada, o Executivo procura aproximar investimento em infraestruturas da actividade produtiva, criando condições para que a produção agrícola e industrial circule com maior eficiência. O desafio passa agora por transformar a melhoria das estradas e da logística em ganhos concretos para produtores, empresas e consumidores, reduzindo custos ao longo da cadeia e reforçando a competitividade da economia angolana.

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