Mercados Financeiros

Mercados internacionais recuperam, enquanto bolsas africanas mantêm forte desempenho em 2026

Os mercados financeiros internacionais iniciam esta quinta-feira, dia 20, com um sentimento mais favorável, depois de o Tesouro dos Estados Unidos ter anunciado o reforço das operações de recompra de dívida de longo prazo, numa tentativa de melhorar a liquidez do mercado obrigacionista e travar a subida das yields.

A decisão contribuiu para uma descida das taxas de juro das obrigações norte-americanas e ajudou a melhorar o apetite dos investidores por activos de maior risco. Os efeitos foram particularmente visíveis nos mercados asiáticos, que registaram ganhos generalizados.

O movimento ocorre depois de uma sessão marcada por fortes preocupações em torno da dívida pública dos Estados Unidos, da inflação e das tensões geopolíticas no Médio Oriente. A yield da Treasury a 30 anos chegou recentemente a níveis próximos dos máximos registados desde 2007, pressionando as bolsas e aumentando os custos de financiamento globais.

Dólar perde força e ouro ganha atractivo

O dólar continua sob pressão, enquanto o ouro beneficia da procura por activos considerados de refúgio. A combinação entre a descida das yields norte-americanas, a preocupação com a trajectória da dívida dos EUA e as tensões geopolíticas tem favorecido o metal precioso.

O ouro ultrapassou os 4.500 dólares por onça na sessão anterior, enquanto o índice do dólar recuou significativamente.

O petróleo, por seu lado, continua elevado, reflectindo os riscos associados à situação no Médio Oriente e às incertezas em torno do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz. O Brent aproximou-se dos 91 dólares por barril nos últimos dias.

África acompanha recuperação, mas com desempenhos distintos

Nos mercados africanos, o comportamento continua a ser marcado por uma combinação de valorização das bolsas, evolução das moedas nacionais e forte procura por activos ligados às matérias-primas.

Os dados mais recentes disponíveis mostram um desempenho particularmente forte em vários mercados africanos. Até 18 de Agosto, o índice da Bolsa de Gana acumulava uma valorização de 73,39% em moeda local desde o início do ano, enquanto a Nigéria registava igualmente uma das maiores recuperações do continente. O Egipto avançava 32,15%, o Quénia 29,62% e o Botswana 1,72%.

A BRVM, bolsa regional que reúne os mercados de vários países da África Ocidental francófona, apresentava também uma subida de 46,68% desde o início do ano, tornando-se um dos mercados africanos com melhor desempenho.

Na Namíbia, o índice NSX acumulava uma valorização de 13,09%, enquanto Marrocos apresentava uma evolução praticamente estável em moeda local. Em sentido contrário, o Malawi e as Maurícias registavam perdas acumuladas no ano.

Nigéria ganha peso no mercado africano

A Nigéria destaca-se entre os grandes mercados africanos. O forte desempenho da Nigerian Exchange tem sido associado às reformas económicas, à melhoria da liquidez cambial, à valorização do naira e ao ambiente favorável para empresas ligadas à energia e às matérias-primas. A bolsa nigeriana chegou a ultrapassar a marroquina em dimensão, tornando-se a segunda maior bolsa africana, atrás da Johannesburg Stock Exchange, segundo dados divulgados em Junho.

O desempenho das acções nigerianas tem sido particularmente expressivo em 2026. Dados divulgados durante o ano apontaram para uma valorização superior a 30% do mercado, embora os ganhos em moeda local devam ser analisados em conjunto com a evolução do naira para avaliar o retorno efectivo dos investidores internacionais.

África do Sul continua como principal mercado do continente

A Johannesburg Stock Exchange (JSE) mantém-se como o principal centro financeiro e mercado accionista de África, graças à sua dimensão, liquidez e elevada exposição a empresas multinacionais e aos sectores mineiro e financeiro.

O desempenho da JSE é particularmente sensível à evolução dos preços do ouro, platina, cobre e outros minerais, bem como às condições financeiras internacionais. Uma descida das yields norte-americanas e um dólar mais fraco podem favorecer os mercados emergentes e fronteira, embora o petróleo elevado e as tensões geopolíticas constituam riscos para economias importadoras de energia.

Angola procura aprofundar o mercado de capitais

Em Angola, a evolução dos mercados internacionais tem impacto directo sobre as condições de financiamento, o mercado cambial, as obrigações soberanas e a actividade da BODIVA.

A descida das yields internacionais poderá, em princípio, contribuir para melhorar as condições de financiamento dos mercados emergentes, embora Angola continue exposta às oscilações do preço do petróleo, principal fonte de receitas externas do país.

A evolução dos mercados africanos também coloca em evidência o potencial de desenvolvimento dos mercados de capitais do continente. O forte desempenho registado este ano em bolsas como as da Nigéria, Gana, Costa do Marfim, Egipto e Quénia demonstra o crescente interesse dos investidores por activos africanos, apesar dos riscos cambiais e da menor liquidez de vários mercados.

Investidores entre oportunidades e riscos

O panorama global continua, contudo, marcado por elevada incerteza. A dívida pública norte-americana, as perspectivas para a política monetária da Reserva Federal, a evolução dos preços do petróleo e as tensões no Médio Oriente permanecem entre os principais factores capazes de provocar movimentos bruscos nos mercados.

Para África, a situação apresenta oportunidades e riscos simultaneamente. Países exportadores de petróleo e minerais podem beneficiar de preços elevados das matérias-primas, enquanto os importadores de energia enfrentam maior pressão sobre as contas externas e a inflação.

O quadro dos mercados internacionais é, assim, de recuperação moderada, mas sem afastar os riscos. Enquanto os mercados desenvolvidos procuram adaptar-se a juros elevados e a uma crescente preocupação com a dívida, várias bolsas africanas apresentam em 2026 um desempenho muito superior, reforçando a atenção dos investidores internacionais sobre o continente.

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