A Kenya Airways, uma das maiores companhias aéreas de África, revelou hoje, quarta-feira, dia 19, que o conflito no Médio Oriente provocou um aumento de 72% nos custos de combustível durante o primeiro semestre deste ano, além de ter causado atrasos no fornecimento de peças sobressalentes e na manutenção das aeronaves.
A companhia da África Oriental deverá divulgar os resultados referentes ao primeiro semestre de 2026 no início da próxima semana, adiantou em comunicado, citado pela agência Reuters.
“Fomos fortemente afectados pela guerra, com os preços do combustível a subirem 72% no semestre em curso”, afirmou o director-geral interino da companhia, George Kamal, aos jornalistas, em Nairobi, acrescentando que o combustível representa agora até 50% dos custos totais da empresa.
Kamal afirmou que a companhia aérea enfrenta igualmente atrasos na entrega de peças para aeronaves, menor disponibilidade de aviões e um aumento global da inflação, factores que deverão afectar as receitas da empresa.
Segundo o responsável, embora os atrasos globais no fornecimento de aeronaves e componentes estejam a afectar várias companhias aéreas, a dimensão reduzida da frota da Kenya Airways — actualmente composta por 40 aviões — torna o impacto particularmente severo. “Temos procura. Todas as rotas que operamos estão cheias, por isso precisamos dos aviões o mais rapidamente possível”, afirmou.
A companhia aguarda a entrega de dois aviões Boeing 737, enquanto outras duas aeronaves, cuja entrega estava prevista para Abril, foram rejeitadas depois de não terem passado nos testes de inspecção, explicou Kamal.
No ano passado, a Kenya Airways registou um prejuízo antes de impostos de 17,93 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 138,56 milhões de dólares), devido à redução das receitas, depois de ter alcançado um raro lucro no período anterior.
“Estamos a rever todos os contratos da KQ (Kenya Airways) e a procurar formas de poupar cada dólar, porque o nosso lucro por lugar é de apenas 1,50 dólares e temos de poupar cada dólar que ganhamos”, afirmou o director-geral interino.