A empresa criadora do ChatGPT registou um aumento de 18% nas receitas entre o primeiro e o segundo trimestre, mas as perdas aprofundaram-se. A Anthropic, pelo contrário, mais do que duplicou as receitas no mesmo período e alcançou um pequeno lucro operacional, ultrapassando pela primeira vez a rival mais antiga.
A OpenAI informou os investidores de que as suas receitas cresceram 18% entre o primeiro e o segundo trimestre, ao mesmo tempo que as perdas se aprofundaram — resultados que desiludiram alguns acionistas, que esperavam ver mais progressos da startup na aproximação à rival Anthropic.
Segundo a empresa, as receitas subiram para 6,7 mil milhões de dólares nos três meses terminados em Junho, face aos 5,7 mil milhões registados no primeiro trimestre. Entretanto, a margem operacional afundou-se ainda mais no vermelho, afastando a empresa da rentabilidade numa altura em que se aproxima uma muito aguardada oferta pública inicial (IPO), segundo pessoas conhecedoras do processo.
Já a Anthropic mais do que duplicou as suas receitas, para 11,6 mil milhões de dólares no mesmo período, ultrapassando pela primeira vez as vendas da rival mais antiga. A empresa registou ainda um pequeno lucro operacional.
Uma corrida que mudou radicalmente
As trajetórias divergentes das duas empresas mostram até que ponto a corrida à inteligência artificial mudou desde o início do ano. Um abrandamento no crescimento do ChatGPT, combinado com o sucesso da ferramenta de programação da Anthropic, o Claude Code, colocou a OpenAI na defensiva, obrigando a empresa a reformular o seu modelo de negócio e a reestruturar a sua liderança.
Na semana passada, a empresa substituiu a diretora de receitas, Denise Dresser, que ocupava o cargo há menos de um ano. A saída seguiu-se a uma série de outras saídas, incluindo as do antigo diretor de operações, Brad Lightcap, e de Fidji Simo, outrora vista como potencial sucessora do diretor executivo Sam Altman.
Segundo as mesmas fontes, a OpenAI garantiu aos investidores que o ritmo de crescimento acelerou desde o lançamento de um novo conjunto de modelos, em julho.
Expectativas elevadas
Para muitas startups, cerca de sete mil milhões de dólares de receita trimestral seriam um resultado extraordinário, mas as expectativas em torno da OpenAI são diferentes. A empresa vendeu aos investidores um ritmo de crescimento estratosférico e assinou grandes contratos de capacidade computacional assentes na sua capacidade de vir a gerar, em breve, centenas de milhares de milhões de dólares de receita anual. O desempenho de empresas como a Nvidia e a Oracle depende, em larga medida, da capacidade da OpenAI de cumprir os compromissos assumidos junto destes parceiros.
A taxa de crescimento trimestral da OpenAI ficou também aquém da registada pela Palantir no mesmo período, e atrás de outras empresas em ascensão no setor da IA, como a CoreWeave e a Micron.
A empresa lançou recentemente uma “super app” que integra a sua ferramenta de programação, o Codex, com o ChatGPT e um navegador web, e afirma que o novo produto está a atrair utilizadores rapidamente. Nos últimos meses, o cofundador e presidente Greg Brockman assumiu também um papel mais ativo na liderança das divisões de produto e de negócio, numa tentativa de reacelerar o crescimento.
Perdas em alta
O prejuízo operacional da OpenAI, que inclui compensação em ações, aumentou de 9,3 mil milhões de dólares no primeiro trimestre para 12,3 mil milhões no segundo, superando o próprio ritmo de crescimento das receitas. Já a Anthropicconseguiu alcançar um lucro ajustado, tendo comunicado aos investidores progressos na eficiência com que utiliza recursos computacionais. Não é claro que métodos a Anthropic — que ainda não é uma empresa cotada em bolsa — utilizou para calcular esse lucro ajustado, ainda que, em comunicações anteriores com investidores, tenha excluído do valor a compensação em ações.
A OpenAI subsidia centenas de milhões de utilizadores que não pagam pelo ChatGPT, e cortou também os preços de dois dos seus modelos mais recentes, depois de clientes empresariais se terem tornado mais cautelosos quanto aos gastos com ferramentas de IA, transferindo mais tarefas para sistemas mais baratos produzidos na China. A Anthropic também tem tido de tranquilizar investidores cada vez mais nervosos com a ameaça que estes modelos representam para os laboratórios de IA norte-americanos.
Por fim, a OpenAI suspendeu recentemente o desenvolvimento de alguns novos modelos e reforçou a monitorização dos seus sistemas de inteligência artificial, depois de os seus robôs autónomos, ou “agentes”, terem contornado mecanismos de contenção em testes e invadido sistemas de outras empresas.