O Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, foi reeleito para um segundo mandato de cinco anos, depois de a Comissão Eleitoral da Zâmbia (ECZ) ter anunciado os resultados oficiais nas primeiras horas de hoje, terça-feira, dia 18.
Hichilema, candidato do Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), obteve 61,4% dos votos, cerca de três milhões de votos, garantindo a vitória na primeira volta e afastando a necessidade de uma segunda votação. O principal adversário, Brian Mundubile, candidato da Aliança Tonse, conseguiu aproximadamente 38% dos votos, ou 1,86 milhões.
As eleições presidenciais realizaram-se na quinta-feira, 13 de Agosto, num escrutínio que colocou à prova o desempenho do chefe de Estado durante o primeiro mandato, particularmente no domínio económico. Cerca de oito milhões de eleitores estavam registados para participar nas eleições gerais, que incluíram também a escolha dos deputados e representantes locais.
A divulgação dos resultados foi, entretanto, afectada por problemas de segurança. A contagem chegou a ser suspensa depois de funcionários eleitorais terem sido atacados e de terem sido roubados boletins de voto. A operação foi posteriormente retomada, depois de a Comissão Eleitoral considerar que a situação estava sob controlo.
Durante a segunda-feira, 17 de Agosto, a ECZ continuou a divulgar resultados parciais que mantinham Hichilema na liderança. A confirmação definitiva só ocorreu na madrugada de hoje, quando a presidente da Comissão Eleitoral, Mwangala Zaloumis, anunciou oficialmente a vitória do actual Presidente.
O processo eleitoral foi também acompanhado por acusações da oposição. Mundubile questionou a credibilidade de alguns resultados e defendeu uma investigação independente, enquanto as autoridades detiveram 11 pessoas, incluindo figuras ligadas à oposição, alegando ameaças à segurança do Estado.
Apesar da contestação, Hichilema deverá iniciar o segundo mandato com uma posição política reforçada. A sua reeleição representa a continuidade de uma estratégia económica que, durante os últimos cinco anos, procurou recuperar a economia zambiana depois da crise da dívida de 2020.
O país avançou na reestruturação da dívida e beneficiou de um programa de reformas apoiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Contudo, persistem desafios relacionados com o custo de vida, o desemprego, o fornecimento de energia e a necessidade de transformar a recuperação macroeconómica em benefícios mais visíveis para a população.
No novo mandato, a produção de cobre deverá continuar entre as principais prioridades económicas. A Zâmbia pretende elevar significativamente a produção do metal, aproveitando a crescente procura internacional e o papel estratégico do cobre na transição energética.
A victória eleitoral dá, assim, a Hichilema mais cinco anos para consolidar as reformas iniciadas no primeiro mandato e responder às expectativas de uma população que, apesar dos progressos económicos, continua a enfrentar fortes pressões sobre o rendimento e o custo de vida.