Negócios

Depois de lucro quase nulo em 2024, Angola Telecom multiplica resultado por 61 e fecha 2025 com 14,2 mil milhões de kwanzas

A Angola Telecom encerrou o exercício económico de 2025 com um lucro líquido de 14,2 mil milhões de kwanzas, um crescimento homólogo de 6.017% face ao ano anterior, naquele que a empresa pública apresenta como um ponto de viragem depois de vários exercícios marcados por dificuldades financeiras.

A variação percentual expressiva explica-se, em grande parte, pela base de comparação reduzida: em 2024, a operadora tinha registado um lucro líquido de apenas 233 milhões de kwanzas (cerca de 253,5 mil dólares), segundo dados divulgados pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).

Além do resultado líquido, os principais indicadores financeiros da empresa também mostraram evolução positiva em 2025. O resultado operacional avançou 17%, para cerca de 77 mil milhões de kwanzas, enquanto o EBITDA cresceu 12%, fixando-se em 7,6 mil milhões de kwanzas. Os custos operacionais recuaram 7%, terminando o exercício nos 16,6 mil milhões de kwanzas, e a rentabilidade dos activos avançou para 13%, reflectindo, segundo a empresa, uma estrutura financeira mais equilibrada.

A administração da Angola Telecom atribui a recuperação a uma política mais rigorosa de eficiência e otimização de recursos, com destaque para a renegociação de contratos, a contenção das despesas operacionais e a melhoria da liquidez da empresa.

A trajectória recente da operadora tem sido irregular. Depois de ter alcançado, em 2021, o primeiro resultado líquido positivo em três anos — 27 mil milhões de kwanzas, com o EBITDA a crescer 95% —, a empresa manteve, em 2023, um plano de reestruturação sob liderança do então presidente do conselho de administração, Adilson Santos, com vista a tornar mais proveitosa a sua prevista privatização. O exercício de 2024 voltou a confirmar as dificuldades do sector, com um lucro residual de 233 milhões de kwanzas, antes da recuperação expressiva registada em 2025.

A Angola Telecom foi uma das empresas públicas que contribuíram para o lucro agregado do Sector Empresarial Público (SEP), que atingiu 949 mil milhões de kwanzas em 2025, segundo dados do IGAPE. O sector foi liderado pela Sonangol, com 862,4 mil milhões de kwanzas de resultado líquido, seguida pela Unitel, com 158,4 mil milhões de kwanzas — este último impulsionado sobretudo por dividendos provenientes da participação da operadora no Banco de Fomento Angola (BFA).

Histórica operadora pública de telecomunicações angolana e maior operador de infraestruturas de transporte nacional e de rede metropolitana no país, a Angola Telecom continua incluída no programa de privatizações do Executivo angolano, no âmbito das reformas em curso no sector das telecomunicações.

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