Negócios

Etiópia privilegia empresas chinesas no mega-aeroporto de Bishoftu

A Etiópia está a privilegiar empresas chinesas no processo de construção do Aeroporto Internacional de Bishoftu, um mega-projecto avaliado em 12,5 mil milhões de dólares, segundo informação divulgada pela publicação ‘Business Insider Africa’.

Empresas estatais chinesas estão entre as principais candidatas aos grandes contratos do empreendimento, enquanto nenhum dos grandes empreiteiros independentes norte-americanos surge na lista restrita, num processo que está a suscitar apreensão em Washington, numa altura em que as relações entre os Estados Unidos e a Etiópia continuam marcadas por divergências, incluindo as relacionadas com o Egipto.

A Ethiopian Airlines concluiu, em Abril, o processo de pré-qualificação para quatro grandes pacotes de construção, que atraíram empresas e consórcios da China, Europa, Médio Oriente, Turquia, Índia e Rússia.

As empresas chinesas asseguraram 15 dos 33 lugares da lista restrita, actuando individualmente ou através de empresas conjuntas, num total de 10 grupos. Entre elas estão a China Communications Construction Company, a China Road and Bridge Corporation, a China Civil Engineering Construction Corporation e o Beijing Urban Construction Group.

Os quatro pacotes abrangem o terminal principal e as instalações aeroportuárias, as obras da área operacional, as infra-estruturas de apoio e as ligações de transporte externas.

A Ethiopian Airlines ainda não adjudicou os contratos. A selecção dos empreiteiros, inicialmente prevista para Agosto de 2026, foi adiada para o início de Janeiro de 2027, depois de vários concorrentes terem solicitado mais tempo para preparar as propostas e organizar o financiamento.

O director-executivo do grupo Ethiopian Airlines, Mesfin Tasew, afirmou que o adiamento não deverá afectar o calendário geral do projecto.

A companhia aérea pretende financiar cerca de 30% dos 12,5 mil milhões de dólares através do seu próprio balanço, deixando aos financiadores a responsabilidade de assegurar mais de 9 mil milhões de dólares.

BAD como principal coordenador

O Banco Africano de Desenvolvimento actua como principal coordenador financeiro mandatado e indicou que poderá disponibilizar 500 milhões de dólares, sujeito à avaliação do projecto, enquanto ajuda a mobilizar financiamento adicional.

Também manifestaram interesse a U.S. International Development Finance Corporation, o U.S. Export-Import Bank e o JPMorgan Chase.

Os financiadores chineses estão igualmente envolvidos nas negociações. A Ethiopian Airlines e o Ministério das Finanças da Etiópia mantiveram conversações com o Bank of China, o China Exim Bank, o Industrial and Commercial Bank of China e o China Development Bank.

O projecto prevê a construção de um dos maiores aeroportos de África, a sul de Addis Abeba, destinado a aliviar a pressão sobre o Aeroporto Internacional de Bole, que movimenta actualmente cerca de 25 milhões de passageiros por ano.

A primeira fase do Aeroporto Internacional de Bishoftu deverá ter capacidade para 60 milhões de passageiros por ano quando entrar em funcionamento, em 2030. Na sua configuração final, o aeroporto deverá receber 110 milhões de passageiros e cerca de 3,73 milhões de toneladas de carga por ano, dispondo de estacionamento para aproximadamente 270 aeronaves.

Com um investimento de 12,5 mil milhões de dólares, Bishoftu será, segundo a Business Insider Africa, o projecto de infra-estrutura aeroportuária mais dispendioso alguma vez realizado em África

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