No segundo trimestre de 2026, o Estado angolano gastou três vezes mais com o serviço da dívida do que com o sector social: os encargos financeiros com a dívida absorveram 5,70 biliões de kwanzas (56% da despesa executada), um crescimento de 123% face ao mesmo período de 2025, enquanto o sector social — educação, saúde, proteção social, habitação, cultura e ambiente — ficou-se por apenas 1,67 biliões de kwanzas (16% do total). O trimestre foi favorecido por receitas petrolíferas acima do previsto, com o Brent a negociar em média a 102 dólares por barril, o que permitiu ao Estado priorizar a amortização de passivos, incluindo uma redução de 7% no serviço da dívida interna. Ainda assim, o stock da dívida pública voltou a subir, atingindo 70,24 biliões de kwanzas no final de Junho, mais 7% face ao trimestre anterior.
Encargos financeiros absorveram 56% da despesa pública executada entre Abril e Junho, um crescimento de 123% face ao mesmo período de 2025, enquanto o sector social — que inclui educação, saúde, proteção social, habitação, cultura e ambiente — ficou-se pelos 16% do total.
O Estado gastou, no segundo trimestre de 2026, três vezes mais com o serviço da dívida do que com o sector social. Segundo o relatório de execução do Orçamento Geral do Estado (OGE), divulgado pelo Ministério das Finanças (Minfin), os encargos financeiros associados à dívida absorveram 5,70 biliões de kwanzas no trimestre, o equivalente a 56% de toda a despesa executada por função. No mesmo período, o setor social ficou-se por 1,67 biliões de kwanzas, ou seja, 16% do total.
No que diz respeito ao ritmo de execução, os encargos financeiros consumiram 37% da verba reservada para todo o ano e cresceram 123% em comparação com o mesmo período de 2025 — um salto expressivo que reflete o peso crescente do pagamento de dívida no orçamento angolano. Em contraste, o sector social executou apenas 20% da sua dotação anual, evidenciando um ritmo bem mais lento de aplicação dos recursos previstos para as áreas sociais.
Ainda assim, houve um alívio pontual: o serviço da dívida interna recuou 7% face ao trimestre anterior, fixando-se em 2,54 biliões de kwanzas. Já as operações da dívida pública externa, com uma execução de cerca de 3,92 biliões de kwanzas — correspondente a 45% do valor anual —, representaram a maior fatia dos encargos financeiros do trimestre.
Receitas petrolíferas acima do previsto
O trimestre foi favorecido por receitas petrolíferas superiores ao orçamentado, com o Brent a negociar a uma média de 102 dólares por barril, cerca de 67% acima dos 61 dólares previstos no OGE, num contexto de tensão geopolítica no Médio Oriente. Estas receitas destinaram-se prioritariamente à amortização de passivos do Estado, tanto na componente financeira — através do serviço da dívida pública — como na componente não financeira, mediante a regularização de atrasados perante fornecedores.
Analisada por função, a maior taxa de execução coube ao setor da defesa e segurança, que gastou 1,03 biliões de kwanzas no trimestre, correspondente a 41% da verba reservada para o ano — a proporção mais elevada entre todas as áreas.
O stock da dívida pública voltou a crescer, atingindo 70,24 biliões de kwanzas no final de junho, mais 7% do que no trimestre anterior e mais 20% em termos homólogos. A dívida governamental representa 94% deste total, cabendo os restantes 6% às empresas públicas Sonangol e TAAG.
No sector social, os subsectores com maior execução foram Habitação e Serviços Comunitários (556,40 mil milhões de kwanzas), Educação (407,35 mil milhões de kwanzas) e Saúde (373,67 mil milhões de kwanzas).
Para o conjunto de 2026, o Executivo já havia projectado um serviço da dívida governamental de 15,24 biliões de kwanzas — uma redução de 10% face à proposta inicial do OGE 2025 —, mas que continua a representar cerca de 46% do orçamento total, segundo dados anteriores do Minfin.