Rácio Dívida/PIB recuou ligeiramente para 46,39% no primeiro trimestre, num sinal de que a economia está a crescer a um ritmo superior ao do endividamento
O stock da dívida pública de Angola aumentou 3,4 mil milhões de dólares no primeiro trimestre deste ano, face aos últimos três meses de 2025, para 69,43 mil milhões de dólares, mas o peso relativamente ao produto interno bruto (PIB) caiu 0,2 pontos percentuais, para 46,39%, indiciando que a economia está a crescer a um ritmo superior ao do endividamento.
Em termos homólogos, a dívida governamental — excluindo a dívida das empresas públicas e a dívida garantida pelo Estado — teve um acréscimo de 8,66 mil milhões de dólares.
Esta evolução mostra um recuo para níveis de 2019, antes da pandemia de Covid-19, “evidenciando a continuidade das necessidades de financiamento do Estado”, lê-se numa análise da consultora empresarial Executive Post.
Os números de Março de 2026 reforçam, segundo a mesma consultora, “a tendência de crescimento do stock da dívida iniciada” no mesmo mês de 2025. “O acréscimo de 8,66 mil milhões de dólares em 12 meses evidencia um aumento contínuo do endividamento público, reforçando a importância de monitorizar a sua evolução face ao crescimento da economia e à capacidade de financiamento do Estado”, acrescenta a análise assinada pelo economista e consultor Hélder Bunga.
Dívida sobe, mas peso no PIB recua
Quanto à evolução em dois sentidos observada em Março — o aumento do stock da dívida, por um lado, e o recuo do rácio Dívida/PIB, por outro —, a Executive Post entende que esse “comportamento sugere que a expansão da economia, medida pelo PIB nominal, superou o crescimento do endividamento, contribuindo para uma melhoria relativa dos indicadores de sustentabilidade fiscal”.
No boletim trimestral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), o aumento em cadeia é justificado como “resultado de emissões de 7,60 mil milhões de dólares superiores aos resgates de 4,13 mil milhões de dólares”.
Segundo a entidade do Ministério das Finanças, o stock da dívida governamental “evoluiu em linha com a estratégia de financiamento definida, reflectindo um aumento líquido associado às emissões de 7,60 mil milhões de dólares, ainda que em níveis inferiores aos 12,16 mil milhões de dólares registados no trimestre anterior”, destacando que a “componente externa manteve um papel relevante na cobertura das necessidades de financiamento, enquanto o mercado interno continuou a assegurar uma contribuição consistente”.
Dívida externa concentrada em instrumentos comerciais
A dívida externa manteve-se concentrada, durante o primeiro trimestre, na dívida comercial (40%), dívida titulada (25%), multilateral (21%), fornecedores (8%) e bilateral (6%), reflectindo “uma maior utilização de instrumentos de mercado, reforçando a flexibilidade na gestão dos fluxos da dívida e promovendo o alargamento da base de investidores, em linha com a estratégia de endividamento de médio prazo 2026-2028”.
A carteira da dívida externa, que continua concentrada em dólares norte-americanos (79,65%), ascendeu 5,10% para 49,84 mil milhões de dólares. Segundo a UGD, as previsões para o serviço da dívida externa até final do ano apontam para uma aceleração das amortizações e, nesse sentido, uma redução do stock da dívida externa.