A Paramount chegou a acordo com 12 estados norte-americanos que tinham processado a empresa para tentar bloquear a aquisição da Warner Bros. Discovery, num negócio avaliado em 110 mil milhões de dólares. O entendimento abre finalmente caminho à concretização da compra, liderada pelo presidente executivo da Paramount, David Ellison.
Os estados, liderados pela Califórnia, argumentavam que a operação daria à Paramount um controlo excessivo sobre as indústrias do cinema e da televisão por cabo, ao combinar dois dos cinco grandes distribuidores de Hollywood numa única empresa, com um domínio estimado em cerca de 27% do mercado de distribuição de filmes de grande lançamento e uma fatia semelhante do mercado de licenciamento de canais básicos de televisão por cabo.
O acordo agora alcançado prevê determinadas proteções editoriais para a CBS News e para a CNN — duas das redações que ficariam sob a alçada da nova empresa combinada —, bem como o compromisso de a Paramount lançar 30 filmes por ano nas salas de cinema. O entendimento afasta ainda a possibilidade, que chegou a estar em cima da mesa, de a Paramount transferir a sua sede para fora da Califórnia, um cenário que tinha alarmado políticos locais e sindicatos ligados à indústria do entretenimento.
Ainda assim, o acordo não convenceu todos os críticos da operação. A procuradora-geral da Califórnia, Rob Bonta, que liderou os esforços para chegar a este entendimento, admitiu, apesar de tudo: “Continuo a achar que estas duas empresas não deveriam fundir-se.” A posição reflete o cepticismoque persiste entre vários dos procuradores-gerais envolvidos no processo, que ao longo dos últimos meses tinham classificado a fusão como um negócio “ilegal”, suscetível de reduzir a concorrência e prejudicar espectadores, salas de cinema e distribuidores de televisão por cabo em todo o país.
A fusão, que se esperava concluir ainda no terceiro trimestre deste ano, mas que ficou suspensa desde julho devido ao litígio, deverá agora fechar-se em outubro. Uma vez concretizada, criará uma das maiores empresas de entretenimento do mundo, reunindo sob a mesma estrutura estúdios de cinema e televisão, canais por cabo tradicionais e serviços de streaming como a HBO Max e a Paramount+.