Uma das maiores multinacionais do mundo manifestou interesse em explorar oportunidades de investimento em Angola. O diretor para Relações Internacionais para África da Philip Morris International (PMI), Ez Mazou, expressou essa intenção durante um encontro com o ministro das Relações Exteriores, Téte António, à margem da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.
A PMI não é um investidor qualquer. Com sede operacional em Lausanne, na Suíça, a empresa gerou, em 2025, receitas superiores a 40 mil milhões de dólares e um lucro líquido acima dos 11 mil milhões de dólares, valores que a colocam entre as 150 maiores empresas dos Estados Unidos por faturação, segundo a lista Fortune 500. A multinacional emprega mais de 85 mil pessoas em todo o mundo e vende os seus produtos em mais de 180 países, com uma capitalização bolsista que ronda os 280 mil milhões de dólares.
Nos últimos anos, a PMI tem vindo a reorientar radicalmente o seu modelo de negócio: de empresa assente quase exclusivamente na venda de cigarros — através de marcas históricas como a Marlboro —, para um grupo cada vez mais centrado em produtos “smoke-free”, sem combustão. Essa transição, iniciada formalmente em 2016, ganhou um impulso decisivo em 2022, com a aquisição da sueca SwedishMatch por mais de 16 mil milhões de dólares, negócio que trouxe para o portefólio da PMI a marca ZYN, líder mundial em saquetas de nicotina. Combinada com o dispositivo de tabaco aquecido IQOS — atualmente o produto que mais receita gera para a empresa — e com a marca de vaporizadores VEEV, esta nova geração de produtos já representa cerca de 40% da faturação global da multinacional, um valor que a PMI pretende continuar a aumentar nos próximos anos.
É precisamente esta estratégia de expansão e diversificação — geográfica e de produto — que parece estar agora a olhar para Angola. Durante a reunião com o chefe da diplomacia angolana, foram analisadas questões relacionadas com a possibilidade de estabelecimento de uma representação da empresa no país, bem como o aprofundamento do diálogo com as instituições nacionais competentes, tendo em vista a identificação de áreas de interesse comum.
O encontro enquadra-se nos esforços de diplomacia económica desenvolvidos pelo Executivo angolano, com vista à promoção do país como destino de investimento e ao reforço da cooperação com empresas e parceiros internacionais — um esforço que, no caso de uma multinacional com a dimensão e o alcance global da PMI, poderá representar um sinal relevante de confiança no mercado angolano, ainda que o interesse manifestado esteja, para já, numa fase preliminar de auscultação.