AFIS 2026 traz a Angola mais de 1.250 líderes do sector financeiro africano, em Novembro, numa escolha que a organização descreve como reflexo da “transformação” em curso no país
Angola está em transformação, e Luanda prepara-se para acolher os líderes financeiros de África. Entre 3 e 4 de Novembro de 2026, a capital angolana recebe o AFIS 2026 — Africa Financial Industry Summit —, um dos encontros mais aguardados do calendário financeiro do continente, e a primeira edição alguma vez realizada em Angola.
A escolha de Luanda marca um duplo ineditismo para o evento: é a primeira vez que o AFIS se realiza na África Austral, e a primeira vez que acontece num país de língua portuguesa. Fundado em 2021 pelo Jeune Afrique Media Group em parceria com a International Finance Corporation (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial dedicada ao financiamento do sector privado em países em desenvolvimento, o AFIS tornou-se, em poucos anos, uma das principais plataformas de diálogo entre a indústria financeira africana, reguladores e decisores políticos. As edições anteriores decorreram em Lomé, no Togo, e em Casablanca, em Marrocos.
Mais de 1.250 participantes esperados
Os organizadores esperam reunir mais de 1.250 executivos bancários, seguradoras, líderes de fintechs, reguladores, investidores e gestores de fundos de pensões, com sessões centradas em quatro grandes eixos: o financiamento das economias africanas, o aprofundamento da integração continental, o avanço da transformação digital e o reforço das instituições financeiras africanas.
Um conselho de supervisão composto por cerca de três dezenas de figuras de topo do sector orienta a agenda do evento, incluindo Aigboje Aig-Imoukhuede, do grupo Access Holdings, e Solomon Quaynor, vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento.
Um novo vídeo promocional do evento apresenta três figuras centrais nesta história: Vera Esperança dos Santos Daves de Sousa, ministra das Finanças de Angola; Amir Ben Yahmed, fundador do AFIS e presidente executivo do Jeune Afrique Media Group; e Ethiopis Tafara, vice-presidente regional da IFC para África. Juntos, definem o tom daquilo que Luanda se prepara para acolher.
“Esta primeira edição na África Austral coloca Angola sob os holofotes, um mercado em processo de liberalização e com um potencial considerável. Oferece aos participantes a oportunidade de forjar alianças decisivas para a economia regional”, afirmou Amir Ben Yahmed. Já Ethiopis Tafara sublinhou o papel do encontro na mobilização de investimento para o crescimento económico do continente: “No AFIS, reunimos os líderes financeiros africanos para transformar ambição em acção, mobilizando capital privado para criar emprego, reforçar a resiliência e apoiar o crescimento do continente.”
O governador do Banco Nacional de Angola, Manuel António Tiago Dias, descreveu a cimeira como um espaço estratégico de colaboração sobre os principais desafios financeiros do continente. A edição de 2026 surge num momento em que decisores políticos africanos têm vindo a impulsionar a chamada Nova Arquitectura Financeira Africana, um enquadramento que prioriza a mobilização de capital doméstico, num contexto de liquidez global mais apertada e custos de financiamento crescentes.
Angola como “hub financeiro emergente”
Segundo os organizadores, Angola tem-se afirmado como um dos mercados financeiros mais promissores de África: o país tem 40 milhões de habitantes e o sétimo maior PIB do continente, avaliado em 115 mil milhões de dólares. O papel crescente da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) — recentemente reforçado pela estreia da Unitel, a primeira operadora de telecomunicações cotada no país —, o investimento em infraestruturas como o Corredor do Lobito e a participação de Angola no quadro de comércio livre da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) têm contribuído para reforçar o atractivo do país como um centro financeiro emergente na região.
O programa estratégico Angola Visão 2050 reflecte, segundo os organizadores, essa mesma ambição, com foco em sectores como a agricultura, a indústria transformadora, a mineração e os serviços financeiros — áreas que deverão marcar presença nas discussões do próprio AFIS.
“Para além do petróleo”: uma escolha que não é acidental
Segundo o director-geral adjunto do AFIS, citado pela imprensa internacional, a escolha de Luanda “não é acidental, nem meramente geográfica”. “Angola situa-se no coração de uma região em rápida transformação”, afirmou o responsável, numa reflexão sobre a procura, por parte de África, de um sistema financeiro capaz de financiar as suas próprias ambições — para além da tradicional dependência das receitas petrolíferas que, historicamente, tem definido a imagem internacional da economia angolana.
Em Angola, o foco do encontro estará na mobilização de capital em larga escala e no apoio à próxima geração de emprego e crescimento no continente. O vídeo promocional enquadra este esforço como um trabalho conjunto, com decisores públicos e privados a escrever, em conjunto, o próximo capítulo das finanças africanas — uma narrativa que a organização do AFIS espera confirmar, na prática, ao longo dos dois dias de sessões estratégicas, workshops técnicos, reuniões bilaterais e espaços de networking previstos para Novembro, em Luanda.