Mercados Financeiros

Dangote prepara OPV de 5 mil milhões de dólares e admite dupla cotação na África do Sul

O grupo Dangote poderá avançar, numa segunda fase, com a cotação da sua refinaria de petróleo na Bolsa de Joanesburgo (JSE, sigla em inglês), depois da prevista entrada em bolsa na Nigéria, num processo que poderá resultar numa das maiores ofertas públicas venda (OPV) da história de África.

A Bolsa de Joanesburgo, a maior do continente, confirmou que mantém conversações com o Grupo Dangote e revelou que a empresa pretende realizar primeiro a cotação na Bolsa da Nigéria (Nigerian Exchange), antes de avançar para uma eventual cotação secundária na África do Sul.

“Eles vão cotar-se primeiro na Nigéria, mas existe uma forte intenção de, posteriormente, trazer também a cotação para a África do Sul”, afirmou um porta-voz da JSE à agência Reuters.

Com uma capitalização bolsista de cerca de 1,52 mil milhões de dólares, a JSE representa aproximadamente 60% do valor total dos mercados accionistas africanos, reforçando o seu estatuto como a principal bolsa do continente.

A operação ocorre na sequência de informações de que o Grupo Dangote pretende captar cerca de 5 mil milhões de dólares através da oferta pública inicial da Dangote Petroleum Refinery. Fontes próximas do processo indicam que a empresa já apresentou um pedido preliminar junto da autoridade reguladora do mercado de capitais da Nigéria e aponta para uma estreia em bolsa em Outubro.

O interesse dos investidores ultrapassa as fronteiras da Nigéria. O Quénia poderá desempenhar um papel relevante na operação, com investidores institucionais, incluindo fundos de pensões, a poderem investir até 500 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 10% do montante que a empresa pretende arrecadar.

Além disso, decorreram contactos com reguladores e participantes do mercado no Egipto, Gana e Ruanda para facilitar a participação de investidores desses países na operação, evidenciando o crescente interesse continental pela refinaria.

Construída pelo empresário nigeriano Aliko Dangote, considerado o homem mais rico de África, a refinaria representou um investimento estimado em 20 mil milhões de dólares. Com capacidade para processar 650 mil barris de petróleo por dia, iniciou a produção de combustíveis em 2024 e atingiu a capacidade máxima de operação no início deste ano. A Nigerian National Petroleum Company detém pouco mais de 7% da refinaria.

Uma recente colocação privada avaliou a infra-estrutura em cerca de 40 mil milhões de dólares, depois de investidores adquirirem uma participação de 6% por 2,5 mil milhões de dólares. Esta valorização coloca a refinaria entre os activos industriais privados mais valiosos de África e prepara o caminho para uma das maiores entradas em bolsa alguma vez realizadas no continente.

Relacionadas

Indústria Transformadora recebe 60 mil milhões de kwanzas em financiamentos

Sector cresceu 7,22% até ao terceiro trimestre de 2025 e

Dangote prepara OPV de 5 mil milhões de dólares e

O grupo Dangote poderá avançar, numa segunda fase, com a

Um em cada oito eleitores brasileiros acredita que Lula foi

Pesquisa Meio/Ideia revela que 41% do eleitorado não rejeita categoricamente