Política 

Um em cada oito eleitores brasileiros acredita que Lula foi substituído por um clone

Pesquisa Meio/Ideia revela que 41% do eleitorado não rejeita categoricamente a teoria da conspiração, com a crença a duplicar entre apoiantes de Flávio Bolsonaro

Uma parcela dos eleitores brasileiros acredita numa das teorias conspiratórias mais insólitas envolvendo o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo uma pesquisa do instituto Meio/Ideia, divulgada esta quarta-feira, 12,5% dos entrevistados afirmaram acreditar que Lula morreu e foi substituído por um clone ou um sósia — o equivalente a aproximadamente um em cada oito eleitores.

O levantamento mostrou ainda que 58,9% dos participantes rejeitam esta possibilidade, enquanto 28,5% disseram não saber ou preferiram não responder. Somando os que acreditam na teoria aos que não souberam tomar posição, 41% dos entrevistados demonstraram algum grau de abertura para a hipótese conspiratória — um dado que os analistas consideram tão ou mais relevante do que a percentagem de crentes convictos, por revelar o alcance mais amplo da desinformação junto do eleitorado.

A pergunta feita pelos pesquisadores foi directa: “Lula foi substituído por um clone ou sósia?” O instituto ouviu 1.500 eleitores de diferentes regiões do país entre 31 de Julho e 3 de Agosto, com uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%. O estudo está registado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04579/2026.

Crença mais forte entre apoiantes de Flávio Bolsonaro

Segundo o mesmo levantamento, a crença na teoria é significativamente mais frequente entre os eleitores do senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — principal adversário de Lula nas eleições de Outubro. Nesse grupo específico, um em cada cinco entrevistados afirmou acreditar que o Presidente foi de facto substituído, um valor bem acima da média nacional.

A teoria conspiratória, que sustenta que o actualocupante do Palácio do Planalto não seria o “verdadeiro” Lula, tem sido alimentada por vídeos, montagens e memes que circulam nas redes sociais, alegando supostas diferenças físicas ou comportamentais entre o actual Presidente e o Lula de anos anteriores. Segundo a agência de verificação de factos Aos Fatos, publicações com esta alegação circulam pelo menos desde 2022.

Lula já respondeu com ironia

O próprio Presidente já comentou o assunto publicamente, em tom de brincadeira. Durante um evento em Sorocaba, no estado de São Paulo, para a entrega de unidades móveis odontológicas, Lula respondeu directamente às teorias que circulam nas redes: “Vocês sabem que, nesse país, tem uma fábrica de mentiras. Tem uma mentira, por exemplo, que diz que eu já morri, que eu sou um clone. Você viu que, esses dias, eu subi uma rampa correndo? Aí ‘ah, esse não é o Lula, esse é um clone, o Lula já foi’. Eu já sou o quinto Lula”, ironizou o Presidente, acrescentando: “Deus queira que eu seja o sétimo, oitavo, décimo Lula, porque eu quero viver até os 120 anos.”

Esta pesquisa surge num momento particularmente sensível da corrida eleitoral brasileira, marcada pela crescente tensão entre o campo de Lula e o de Flávio Bolsonaro, e pela escalada de críticas de figuras internacionais como o Presidente argentino Javier Milei ao Governo brasileiro. O facto de a crença na teoria do clone ser significativamente mais alta entre os eleitores bolsonaristas ilustra como fenómenos de desinformação, mesmo os mais aparentemente inofensivos ou bizarros, tendem a espelhar e a reforçar as clivagens políticas já existentes no país, num ano eleitoral marcado por forte polarização entre os dois principais blocos políticos brasileiros.

 

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