Desporto

UEFA ameaça FIFA com acção judicial e exige preservação de provas sobre plano de venda do Mundial

O escândalo que envolveu a FIFA nos últimos dias está longe de estar terminado. De acordo com o jornal ‘The Telegraph’, a UEFA ameaçou Gianni Infantino com uma acção judicial e advertiu o dirigente suíço para que não destrua quaisquer provas relacionadas com o plano de venda de uma participação nos activos comerciais do Mundial.

“O presidente [Infantino] e a FIFA estão obrigados a tomar medidas imediatas para identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente descritos neste aviso que estejam na sua posse, custódia ou controlo, ou da FIFA. Estas obrigações surgem independentemente de qualquer política interna de retenção mantida por si ou pela sua organização e sobrepõem-se a quaisquer políticas de rotina de destruição ou eliminação de documentos que, de outra forma, seriam aplicáveis. A UEFA – bem como outras confederações, associações-membro da FIFA e intervenientes do futebol – condenou veementemente o plano da FFE [FIFA Forward Enterprise], por o considerar fundamentalmente incompatível com uma governação adequada do futebol. Dado que se prevê, com razoável certeza, a instauração de processos judiciais, está obrigado a preservar todo o material relevante com efeito imediato”, lê-se na carta enviada pela UEFA a Infantino, divulgada pelo jornal britânico.

A mesma publicação revela que o organismo que rege o futebol europeu dirigiu igualmente a mesma notificação a Joshua Kushner, Greg Maffei, ao JPMorgan e à OpenEconomic, entidades e personalidades envolvidas no negócio delineado pelo presidente da FIFA.

Recorde-se que o plano de Gianni Infantino, cujo mandato termina em 2031, passa por assumir a presidência da FIFA Forward Enterprise, uma nova entidade comercial que a FIFA pretende criar e que estará avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares.

A nova empresa concentrará os principais activos comerciais da FIFA, incluindo os direitos de transmissão televisiva, de patrocínio e outros direitos comerciais ligados às suas competições, entre elas o Campeonato do Mundo. O objectivo é vender cerca de 20% do capital a investidores privados e angariar mais de 4 mil milhões de dólares. No negócio estão envolvidos o banco JPMorgan e o fundo Thrive Eternal, de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump.

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