Economia

Unitel anuncia restabelecimento de serviços quase uma semana após ataque cibernético

Operadora recupera serviços de SMS e recargas electrónicas, e promete normalização completa “nos próximos dias”, quase uma semana depois do incidente que coincidiu com a estreia em Bolsa

A Unitel anunciou, neste sábado, 1 de Agosto, o restabelecimento da cobertura nacional das redes móveis e a recuperação dos serviços de mensagens escritas (SMS), cinco dias depois do ataque cibernético que começou na terça-feira, 28 de Julho, prometendo a normalização completa nos próximos dias.

Num comunicado ao mercado, a operadora de telecomunicações angolana indicou que a cobertura nacional das redes 2G e 3G foi reposta em todo o território desde as 23h00 locais de 30 de Julho, depois de a recuperação ter começado, de forma gradual e localizada, às 11h45 de 29 de Julho.

Ao longo de sexta-feira, 31 de Julho, foram recuperados os serviços de mensagens escritas (SMS) e as vendas de recargas electrónicas pelos canais habituais, tendo sido ainda disponibilizados, em áreas significativas da rede, os serviços de dados e de acesso à Internet nas tecnologias 4G e 5G, adianta a empresa. A Unitel afirma que continua empenhada na normalização completa dos serviços nos próximos dias.

Um ataque “deliberado e malicioso”

O ataque cibernético, que a operadora classificou como “deliberado e malicioso”, foi identificado às 2h20 de terça-feira e afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional, atingindo clientes particulares e empresariais. Segundo o presidente do Conselho de Administração da Unitel, Aguinaldo Jaime, tratou-se do incidente de cibersegurança mais grave já sofrido pela operadora. “Obviamente não é a primeira situação de cibercrime de que a Unitel é vítima, mas esta é a mais grave, a mais sofisticada e a que mais impacto teve”, declarou Jaime, à margem da cerimónia de estreia em Bolsa, na quarta-feira, ressalvando que a empresa já tinha enfrentado dezenas de ataques anteriores sem consequências de maior. O gestor adiantou ainda que já tinham chegado a Angola especialistas internacionais para colaborar na investigação, escusando-se, contudo, a dar mais pormenores sobre o ataque para “não perturbar o curso das investigações”.

O incidente provocou constrangimentos de vária ordem, desde a impossibilidade de fazer chamadas a dificuldades no pagamento de salários, nas compras e no pagamento de impostos — problemas que se têm vindo a suavizar desde sexta-feira, com a reposição gradual dos serviços. Em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe, onde a Unitel também opera, os serviços mantiveram-se a funcionar normalmente durante todo o período.

Uma possível ligação à entrada em Bolsa

A operadora não deu, até ao momento, mais esclarecimentos sobre o que esteve na origem do ataque, que ocorreu na véspera da admissão da empresa à negociação em Bolsa, na quarta-feira, mas admitiu a hipótese de os dois factos estarem relacionados — uma coincidência temporal que a própria Unitel já tinha assinalado em comunicado anterior, sem, no entanto, confirmar de forma definitiva essa ligação.

Uma operadora com mais de 20 milhões de clientes

Segundo o Relatório e Contas de 2025, a Unitel conta com 20,8 milhões de clientes e detém uma quota de mercado de 76% em Angola. A crise cibernética surgiu precisamente na semana em que a operadora se tornou a primeira empresa do sector das telecomunicações cotada na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), na sequência da privatização de 15% do seu capital social — operação que gerou um encaixe de quase 300 milhões de euros para o Estado angolano, através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), e que continua a atrair grande atenção do mercado, dado o peso da Unitel na economia digital e financeira do país.

Relacionadas

Guiné-Conacri não irá aderir à moeda única a ser criada

A República da Guiné (Conacri) tornou-se o primeiro membro da

EUA adoptam a partir de hoje programa de caução de

Doze meses após a sua implementação, os EUA adoptam permanentemente

UEFA ameaça FIFA com acção judicial e exige preservação de

O escândalo que envolveu a FIFA nos últimos dias está