A DeepSeek pode avançar com um pedido de oferta pública inicial (IPO) ainda este ano, segundo avança a imprensa internacional, juntando-se assim às rivais chinesas que têm capitalizado o entusiasmo dos investidores com a tecnologia de baixo custo made in China. A empresa, uma das principais potências da inteligência artificial (IA) a nível mundial, está também a ponderar uma nova ronda de financiamento, poucas semanas depois de ter concluído a primeira ronda de capital externo, que avaliou a empresa em 52 mil milhões de dólares.
Segundo a imprensa especializada, a DeepSeek já iniciou os preparativos para uma eventual entrada em bolsa na China continental, com um pedido que poderá ser apresentado ainda no final de 2026 e uma listagem prevista para 2027. A empresa está agora a explorar uma nova ronda de financiamento — apenas um mês depois de ter fechado a primeira, no valor de cerca de sete mil milhões de dólares —, desta vez com uma avaliação-alvo pré-financiamento na ordem dos 71 mil milhões de dólares, um aumento de cerca de 37% face à anterior. O apetite por capital reflecte as necessidades avultadas da empresa, nomeadamente para a construção de centros de dados próprios de grande escala, o desenvolvimento de chips de inferência de IA internos e o lançamento de novos produtos de agentes de IA.
A DeepSeek notabilizou-se no ano passado ao abalar a indústria com um modelo de código aberto barato e eficaz, num episódio que ficou conhecido como o “momento DeepSeek”. Mas outros laboratórios chineses de IA já avançaram entretanto para bolsa: a Zhipu AI e a MiniMax estrearam-se na bolsa de Hong Kong em Janeiro, a 8 e 9, respectivamente — antes das principais concorrentes norte-americanas —, com a MiniMax a mais do que duplicar de valor na sessão de estreia e a Zhipu a subir 13%. Segundo analistas do Goldman Sachs, a indústria chinesa de IA está agora a viver o “momento Zhipu”, com os modelos de código aberto do país “a atingir um ponto crítico de desempenho em termos de inteligência”, numa altura em que a Zhipu se concentra em construir inteligência artificial geral (AGI) em vez de apostar na “monetização de curto prazo a partir de aplicações de IA”.
Do lado norte-americano, as concorrentes OpenAI e Anthropic preparam-se também para dar um passo semelhante rumo à bolsa, no que configura uma corrida global entre os principais laboratórios de IA para captar capital junto dos mercados públicos, num momento de forte procura dos investidores por exposição ao sector.