Mercados Financeiros

Cinco maiores bancos dos EUA somam lucro recorde de 49 mil milhões de dólares, impulsionados por frenesim de negociação em bolsa

Os cinco maiores bancos dos Estados Unidos — JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo — divulgaram esta terça-feira resultados históricos referentes ao segundo trimestre de 2026, somando um lucro conjunto recorde de 49 mil milhões de dólares, um aumento de cerca de 39% face ao período homólogo.

Os números foram impulsionados pela incerteza geopolítica e pela disrupção tecnológica, factores que geraram um frenesim de negociação nos mercados accionistas e beneficiaram, em particular, as divisões de trading das instituições.

A estreia em bolsa da SpaceX, a 12 de Junho, contribuiu de forma significativa para os resultados. A operação, avaliada em 86 mil milhões de dólares e que valorizou a empresa de Elon Musk em 1,77 biliões de dólares, foi a maior oferta pública inicial (IPO) da história e teve a Goldman Sachs como líder do consórcio de subscrição, com o JPMorgan, o Bank of America e o Citigroup entre os principais co-organizadores. Ao contrário de anteriores episódios de volatilidade nos mercados, em que normalmente só as divisões de trading de Wall Street beneficiam, desta vez o ambiente de IPO está também particularmente aquecido, alimentando as receitas de banca de investimento dos cinco grupos.

O JPMorgan, o maior banco norte-americano, foi o destaque da época de resultados, ao registar um lucro líquido de 21,2 mil milhões de dólares — o maior da história da instituição —, impulsionado por uma receita recorde em todas as áreas de negócio e por uma mais-valia de 4,6 mil milhões de dólares relativa à sua participação na Visa. Excluindo esse e outros ganhos pontuais, o lucro líquido ajustado situou-se nos 16,9 mil milhões de dólares, com uma rendibilidade sobre o capital tangível de 23%. A receita das áreas de mercados accionistas do banco disparou 86% em termos homólogos.

“Está a aproximar-se do que de melhor se pode esperar. Só não sabemos quanto tempo vai durar”, afirmou o presidente executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, numa mensagem que combinou optimismo com cautela quanto à sustentabilidade do actual ciclo de resultados.

Os bancos têm também aumentado a despesa, parte da qual está a ser canalizada para novas ferramentas de inteligência artificial. O JPMorgan alertou, contudo, contra o recurso a modelos de IA “incrivelmente caros”, ainda que tenha sublinhado que a despesa com tokens — as unidades básicas de processamento destes modelos — continua a ser “trivial” no cômputo geral dos custos operacionais do banco.

 

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