Desporto

Adeus com lágrimas. Espanha elimina Portugal nos descontos e encerra carreira de Ronaldo nos Mundiais

Portugal foi eliminado do Mundial 2026 nos oitavos-de-final, ao perder por 0-1 frente à Espanha, com um golo de Mikel Merino já no primeiro minuto de compensação. O jogo marcou também a despedida de Cristiano Ronaldo das Copas do Mundo, aos 41 anos, sem o único troféu que lhe faltava no currículo.

O jogo, disputado esta segunda-feira, parecia encaminhar-se para o prolongamento até que, na última jogada do tempo regulamentar, Mikel Merino recebeu um passe de Ferran Torres e definiu, isolado, frente a Diogo Costa. Antes disso, Portugal tinha tido a melhor oportunidade da partida, com um remate de João Félix, desviado por Pedro Porro, que bateu na barra da baliza espanhola.

O desfecho pôs fim à carreira de Cristiano Ronaldo em Campeonatos do Mundo. Aos 41 anos, o capitão português disputou seis edições da prova — 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026 —, com 11 golos em 27 jogos, tornando-se o maior marcador de sempre de Portugal no torneio, à frente de Eusébio. Foi o único grande título que escapou ao seu palmarés. “Triste por sair assim, dei tudo, o meu melhor, saio com a consciência tranquila. A verdade é que foi o meu último Mundial”, declarou Ronaldo, no final.

Roberto Martínez confirmou também a saída do comando técnico da selecção portuguesa, por fim de contrato, falando em “ciclo terminado”. O selecionador considerou que a equipa fez “o nosso melhor jogo no Mundial”, elogiando a agressividade sem bola exibida frente a um dos favoritos ao título. A Federação Portuguesa de Futebol reconheceu, por seu lado, que o resultado “fica aquém do esperado” e que uma eliminação tão precoce “não é consentânea com a qualidade dos jogadores”.

A imprensa portuguesa dividiu-se entre o tom emotivo em torno da despedida de Ronaldo e uma corrente mais crítica às opções tácticas de Martínez. A CNN Portugal escreveu que o selecionador “desperdiçou um grupo de jogadores porque nunca percebeu o que era preciso fazer”, questionando a ausência total de minutos de Gonçalo Ramos ao longo do torneio, uma leitura partilhada pelo Observador, que titulou “Depois de fazer o mais difícil, Martínez inventou. E perdeu”. Jogadores como Nélson Semedo e Diogo Costa assumiram, também eles, tons de autocrítica.

Já em Espanha, a cobertura centrou-se no golo “agónico” que definiu a eliminatória e nos elogios ao banco de suplentes espanhol, com o selecionador Luis de la Fuente a sublinhar que “los jugadores importantes son los que salen desde el banquillo” (Os jogadores mais importantes são os que saem do banco de suplentes). A despedida de Ronaldo foi também amplamente assinalada pelos meios espanhóis, tratada quase como o encerramento de uma era do futebol mundial.

A Espanha segue agora para os quartos-de-final, onde defronta a Bélgica.

 

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