Os Estados Unidos, país co-anfitrião do Mundial, viram terminar de forma abrupta o sonho de chegar aos quartos-de-final pela primeira vez desde 2002. Na noite de segunda-feira, em Seattle, a selecção norte-americana foi goleada por 4-1 pela Bélgica, num jogo marcado por erros defensivos, uma lesão de Christian Pulisic e a polémica em torno da suspensão levantada pela FIFA ao avançado Folarin Balogun.
Os norte-americanos entraram em campo no LumenField com a possibilidade de mobilizar ainda mais o país em torno do seu percurso no Mundial e de alcançar, pela primeira vez desde 2002, os quartos-de-final da competição. Em vez disso, a caminhada dos “co-hosts” terminou de forma definitiva.
Apesar de contar com o avançado Folarin Balogun — que se tornou o centro de uma controvérsia depois de a FIFA lhe ter perdoado uma suspensão por cartão vermelho, com o Presidente Donald Trump a intervir publicamente no caso —, os Estados Unidos viram o seu percurso de sonho terminar com uma derrota por 4-1 frente à Bélgica.
Os norte-americanos jogaram de forma desleixada e pouco consistente na primeira parte, e a Bélgica dominou a equipa da casa. Charles De Ketelaeremarcou dois golos: o primeiro, aproveitando um erro defensivo aos nove minutos, quando os Estados Unidos deixaram a bola quicar dentro da própria área; o segundo, menos de dois minutos depois de Malik Tillman ter empatado, aos 31 minutos, na sequência de um livre directo desviado. Desta vez, o avançado belga, de 25 anos, venceu o duelo aéreo ao veterano central Tim Ream para cabecear um cruzamento de Leandro Trossard.
O resultado ficou praticamente decidido a meio da segunda parte, quando o guarda-redes Matt Freesecometeu um erro grave: saiu da área para ganhar a bola, mas perdeu-a de forma desastrada, permitindo a Hans Vanaken um golo fácil, à baliza vazia, aos 57 minutos. Romelu Lukaku — que há 12 anos, nesta mesma fase da competição, tinha marcado aos Estados Unidos já no prolongamento — fechou a contagem já em tempo de compensação, depois de entrar a partir do banco.
Foi uma noite embaraçosa e amplamente decepcionante para os Estados Unidos, que caem nos oitavos-de-final pelo segundo Mundial consecutivo. A Bélgica, por seu lado, segue para os quartos-de-final, onde defronta, já esta sexta-feira, a Espanha, no SoFi Stadium, em Los Angeles.
Uma oportunidade perdida
Com dezenas de milhões de norte-americanos a assistir, com um entusiasmo popular nunca antesvisto em torno da selecção e sob os holofotes globais de uma noite de segunda-feira em horário nobre, este era um momento sem precedentes para a USMNT, para os seus jogadores e para o futebol nos Estados Unidos. E a equipa desperdiçou-o. Pela primeira vez, os norte-americanos entravam como favoritos para vencer uma potência europeia nos oitavos-de-final de um Mundial — mas, apesar de todo o ímpeto e do talento acumulado, acabaram por repetir o percurso das selecções de 2022 (eliminada pelos Países Baixos), 2014 (eliminada pela própria Bélgica) e 2010 (eliminada pelo Gana), com um desempenho pior do que o da equipa de 2002, que nesta mesma fase bateu o México antes de dar luta à Alemanha nos quartos-de-final.
Balogun, condicionado pela polémica
Balogun, sem culpa directa no assunto, tinha sido nas últimas 36 horas a figura mais controversa do torneio, depois de ter sido expulso na vitória sobre a Bósnia-Herzegovina nos oitavos-de-final da fase anterior. Estava inicialmente impedido de jogar frente à Bélgica, até a FIFA ter decidido, de forma contestada, suspender a sanção de um jogo. Antes da partida, a federação belga chegou a divulgar um comunicado a contestar a elegibilidade do jogador, caso este constasse da ficha de jogo, avisando que reservava “todas as acções futuras”. Em campo, Balogun teve pouco impacto: esteve envolvido no lance do livre que resultou no golo de empate de Tillman e viu um remate seu defendido por ThibautCourtois aos 82 minutos, mas pouco mais.
Lesão de Pulisic
Christian Pulisic, uma das principais referências da selecção, saiu lesionado aos 59 minutos, mancando após um choque forte, fechando desta forma, envolto num certo infortúnio físico, um torneio que tinha começado com enormes expectativas em torno do seu legado. Depois de ter sido o melhor em campo na primeira parte contra o Paraguai, Pulisic sofreu uma lesão muscular na barriga da perna que o afastou do jogo seguinte, frente à Austrália, e limitou-o a uma entrada como suplente frente à Turquia. Frente à Bósnia-Herzegovina não atingiu o mesmo nível, e voltou a ser pouco eficaz antes de sair lesionado frente à Bélgica — encerrando, sem qualquer golo, aquele que seria o Mundial “em casa” no auge da sua carreira.
O erro fatal de Freese
Os Estados Unidos entraram no Mundial com dúvidas sérias na baliza, historicamente um ponto forte da equipa, ao ponto de, pela primeira vez na sua história, apresentarem um guarda-redes titular a jogar na MLS. O selecionador Mauricio Pochettinooptou por Matt Freese, do New York City FC, em detrimento de Matt Turner, titular no Mundial de 2022. Freese esteve seguro nos primeiros três jogos do torneio, com duas balizas a zero, mas na maior partida da sua carreira falhou de forma decisiva: saiu da área para afastar uma bola longa, aos 57 minutos, hesitou ao controlá-la com o peito e acabou por fazer um passe atabalhoado com o pé direito, direto para De Ketelaere. O ressalto sobrou para Vanaken fazer o 3-1, com Ream a tentar, em vão, recuperar a jogada. Numa noite em que praticamente nada correu bem à equipa norte-americana, foi um momento desastroso que deu à Bélgica um colchão de duas bolas de vantagem a mais de meia hora do fim, apagando qualquer esperança que os Estados Unidos ainda tivessem trazido do intervalo.