Internacional

Venezuela: busca desesperada por sobreviventes dos piores sismos em quase seis décadas

As equipas de resgate e os moradores vasculhavam os escombros na noite de quinta-feira numa busca cada vez mais desesperada por sobreviventes, mais de 24 horas depois dos dois sismos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira — os mais violentos a atingir o país em quase seis décadas. O balanço provisório aponta para pelo menos 235 mortos e mais de 4.300 feridos, com centenas de pessoas ainda soterradas ou desaparecidas.

O presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, afirmou na tarde de quinta-feira que mais de 200 pessoas estavam presas nos escombros de edifícios destruídos e outras 157 continuavam desaparecidas. Os dois sismos consecutivos atingiram os estados mais populosos do norte do país, e o número de vítimas deverá continuar a subir. Imagens difundidas nas redes sociais mostram torres residenciais colapsadas em Caracas e nas cidades portuárias vizinhas de La Guaira e Catia La Mar.

Nestas cidades, populares destinos de praia próximos do principal aeroporto internacional do país, sobreviventes em desespero choravam a morte de familiares. Em alguns locais, corpos jaziam nas ruas.

Isaac Miranda, médico de 27 anos em La Guaira, contou que ele e os colegas registaram 50 mortes num hospital — a maioria crianças — num período de apenas quatro horas na noite de quarta-feira. “Chegava uma enorme quantidade de pessoas a cada minuto”, disse, parado diante de um edifício danificado onde procurava o avô de 72 anos.

Os especialistas sublinham a urgência da operação de resgate. O Dr. Jarone Lee, professor associado da Harvard Medical School, recordou que as primeiras 24 a 48 horas após um sismo são cruciais para encontrar sobreviventes, embora seja possível sobreviver mais tempo. Outros peritos falam numa janela de ouro de 72 horas durante a qual é possível salvar mais vidas.

Famílias, vizinhos e desconhecidos uniram-se na quinta-feira à procura de sobreviventes. Junto a um edifício colapsado em La Guaira, YorlianaColmenares ouvia batidas vindas do interior, onde acredita estar o namorado soterrado. “Têm retirado muitos mortos”, disse. “Feridos, crianças, animais.”

Os moradores de La Guaira relataram escassa presença de equipas de resgate e mínima intervenção governamental no terreno. A Venezuela, apesar de rica em petróleo, debate-se com uma depressão económica que se arrasta há uma década e que esvaziou os serviços de emergência, degradou as infra-estruturas e gerou inflação recorde — factoresque agravam o já enorme desafio da recuperação.

Jankiel Rosenwald, conselheiro da organização humanitária World Vision na Venezuela, alertou que o sistema de saúde e a rede eléctrica do país já se encontravam em mau estado antes dos sismos. “Isto vai colocar tudo no limite”, disse.

 

Relacionadas

Grupo Fasano investe mais de 200 milhões de euros em

O Grupo Fasano confirmou a chegada a Portugal com a

Vasco Januário da CMC na Mesa Redonda com CEOs sobre

A 5.ª Edição da Mesa Redonda com CEOs realiza-se nos

João Manuel Francisco toma posse como novo Provedor de Justiça

João Manuel Francisco tomou posse esta quarta-feira, 24 de Junho,