Mercados Financeiros

EUA reveem em alta crescimento do PIB do primeiro trimestre para 2,1%

A economia dos Estados Unidos cresceu 2,1% no primeiro trimestre, em termos homólogos, segundo a estimativa final divulgada hoje pelo Departamento do Comércio — uma revisão em alta face aos 1,6% da estimativa anterior, e um resultado descrito como “sólido e inesperado” pelos analistas.

Os números representam uma recuperação face aos modestos 0,5% registados nos últimos três meses de 2025, quando uma paralisação de 43 dias do governo federal pesou sobre a economia.

O investimento empresarial registou um aumento acentuado, reflectindo um boom de investimento em inteligência artificial (IA). Excluindo o sector imobiliário, o investimento privado cresceu 10,6%, face aos 2,4% do quarto trimestre de 2025, com o investimento em equipamento de processamento de informação a disparar a um ritmo de 39,9%, à medida que as empresas se apressavam a equipar os seus centros de dados.

Contudo, Michael Reid, economista responsável pela análise da economia dos EUA na RBC Capital Markets, alertou à AP, antes da publicação do relatório, que “infelizmente, não se trata de um caminho sustentável”, prevendo que o investimento em centros de dados perca dinamismo.

As despesas de consumo — que representam cerca de 70% da actividade económica dos EUA — caíram acentuadamente face ao quarto trimestre de 2025 e à estimativa anterior do Departamento do Comércio, num sinal de que os consumidores poderão estar a reduzir as despesas perante o aumento dos preços da gasolina causado pela guerra com o Irão.

“Foi inquietante ver os gastos dos consumidores revistos para um valor ainda mais baixo”, afirmou Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, citada pela Associated Press. “É provável que os gastos aumentem ligeiramente no segundo trimestre, mas a situação deve ser acompanhada com atenção. Têm sido uns meses difíceis para os consumidores americanos, mas a maioria tem conseguido superar a situação. A questão é saber quanto alívio está a caminho” — à medida que os EUA e o Irão continuam as negociações com vista a uma resolução do conflito.

O investimento residencial, penalizado pelas taxas de juro elevadas, registou uma queda de 7,8% entre Janeiro e Março, a maior desde o final de 2022 e o quinto declínio trimestral consecutivo. As despesas e o investimento do governo federal aumentaram a um ritmo de 9,4% no primeiro trimestre, após uma queda de 16,6% no período de Outubro a Dezembro de 2025, em grande parte devido ao encerramento do governo. As importações, deduzidas do PIB, cresceram a um ritmo mais lento do que o anteriormente estimado, o que contribuiu para a revisão em alta.

Apesar do choque energético provocado pela guerra com o Irão, o mercado de trabalho americano revelou-se resiliente. Os empregadores criaram em média 188.000 postos de trabalho por mês entre Março e Maio, depois de menos de 10.000 por mês em 2025, num contexto de incerteza sobre as políticas comerciais e de imigração do Presidente Donald Trump.

O relatório de hoje foi a terceira e última estimativa do Departamento do Comércio sobre o crescimento do PIB no primeiro trimestre. A primeira estimativa do segundo trimestre está prevista para 30 de Julho.

 

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