Abelardo de la Espriella, advogado de defesa criminal de 47 anos sem experiência política, foi eleito presidente da Colômbia na segunda volta das eleições de 22 de Junho, derrotando o senador de esquerda Iván Cepeda por uma margem de menos de um ponto percentual — 49,66% contra 48,70%, uma diferença de cerca de 250 mil votos.
Conhecido pelo apelido “El Tigre”, De La Espriella assumirá o cargo a 7 de Agosto, tornando-se o sucessor de Gustavo Petro, que em 2022 se tornou o primeiro presidente de esquerda da história colombiana.
A vitória de De La Espriella representa uma viragem política drástica no terceiro maior país da América Latina. Com tripla nacionalidade — colombiana, americana e italiana —, o candidato tem o apoio explícito de Donald Trump e propõe uma abordagem de segurança de linha dura inspirada no modelo do presidente salvadorenho Nayib Bukele, baseado em prisões massivas de suspeitos de envolvimento em gangues e no reforço dos poderes militares e policiais.
O fracasso de Petro abre porta ao populismo de direita
A derrota da esquerda reflete em grande medida o desgaste do governo Petro. A sua iniciativa de segurança — a chamada “Paz Total”, que buscava acordos negociados com grupos criminosos armados — revelou-se um falhanço: as organizações armadas prosperaram, o número de combatentes cresceu, a produção de coca atingiu recordes e a violência aumentou. A muitos colombianos, o Estado parecia ter perdido o controlo do país. A isso juntaram-se escândalos de corrupção, tensões com o Congresso e uma crise no setor da saúde.
De La Espriella soube explorar esse descontentamento, apresentando-se como outsider que romperia com uma ordem política desacreditada — exatamente o mesmo papel que Petro tinha desempenhado em 2022. É um padrão que se repete: na Colômbia, como em grande parte da América Latina, a vontade de mudança tem-se revelado mais poderosa do que qualquer ideologia.
Consequências regionais e a relação com Washington
A eleição terá repercussões além das fronteiras colombianas. Durante o governo Petro, as relações com os EUA foram tensas devido às divergências ideológicas e à oposição colombiana às estratégias tradicionais de combate ao narcotráfico. Com De La Espriella, a cooperação entre Washington e Bogotá deverá aprofundar-se, abrindo caminho a operações militares conjuntas semelhantes às realizadas recentemente no Equador e na Venezuela. Uma viragem para um modelo mais militarizado com apoio norte-americano poderá, contudo, preocupar líderes de esquerda da região, como o brasileiro Lula e a mexicana Claudia Sheinbaum, e arrisca empurrar a violência para além das fronteiras colombianas.
Internamente, De La Espriella enfrentará uma limitação imediata: o seu movimento tem representação reduzida no Congresso, o que o obrigará a negociar com os mesmos partidos que combateu durante a campanha. O outsider que prometeu mudar o sistema terá, como Petro antes dele, de aprender a governar dentro dele.