Mercados Financeiros

ABC da Alta Finança: Banco de Compensações Internacionais: o “banco dos bancos centrais”

O Banco de Compensações Internacionais (BIS), sediado em Basileia, é amplamente conhecido como o “banco dos bancos centrais”. Criado em 1930, é a mais antiga instituição financeira internacional ainda em actividade e reúne hoje 63 bancos centrais e autoridades monetárias, representando economias responsáveis por cerca de 95% do PIB mundial. A sua missão central é promover a estabilidade financeira internacional, reforçar a cooperação entre bancos centrais e servir como fórum para discussão de políticas monetárias e regulatórias.

O Banco Nacional de Angola (BNA) ainda não é membro do BIS, mas tem vindo a aproximar se das melhores práticas internacionais, reforçando a supervisão bancária, a transparência, a modernização dos sistemas de pagamento e a estabilidade monetária. A eventual adesão seria um marco institucional relevante, permitindo ao país integrar redes globais de conhecimento, participar na definição de normas internacionais e consolidar a sua credibilidade externa.

Actualmente, o BIS desempenha um papel essencial na arquitectura financeira global. É nele que se desenvolvem os Acordos de Basileia, que definem normas internacionais de capital e gestão de risco para o sector bancário. O banco presta também serviços financeiros especializados a bancos centrais — incluindo gestão de reservas internacionais e operações de mercado — e produz investigação de referência sobre inflação, estabilidade financeira, inovação tecnológica, moedas digitais e sustentabilidade.

Além disso, funciona como plataforma de formação e diálogo técnico, reunindo reguladores e decisores de todo o mundo. A sua importância reside na capacidade de garantir confiança e previsibilidade num sistema financeiro cada vez mais interligado, ajudando a prevenir crises, reforçar a resiliência das economias e alinhar respostas globais a desafios como digitalização, cibersegurança ou transição energética.

A África?
O continente africano tem vindo a reforçar a sua presença no BIS, reflectindo o seu crescente peso económico e geopolítico global. Bancos centrais como os da África do Sul, Egipto, Nigéria, Marrocos e Argélia já integram a instituição, beneficiando de acesso a formação técnica avançada, participação em debates globais e maior credibilidade das suas políticas monetárias.

Um pouco de história

A criação do BIS está ligada a um período de forte instabilidade económica. Após a Primeira Guerra Mundial, o Tratado de Versalhes impôs à Alemanha o pagamento de reparações elevadas aos Aliados — sobretudo França, Reino Unido, Bélgica e Itália — como compensação pelos danos do conflito. A incapacidade alemã de cumprir esses compromissos levou ao Plano Young, que recomendou a criação de uma instituição internacional neutra para gerir esses pagamentos e estabilizar o sistema financeiro europeu. Assim, na Conferência de Haia de 1930, vários países europeus e o Japão assinaram o acordo que deu origem ao BIS. Embora esta tenha sido a sua função inicial, o banco rapidamente evoluiu para se tornar o principal centro mundial de cooperação entre bancos centrais.

Em síntese, o BIS é hoje um pilar da estabilidade e da cooperação internacional. Para África — e para Angola em particular — representa uma oportunidade de integração num sistema que valoriza rigor, previsibilidade e partilha de conhecimento, elementos essenciais para um desenvolvimento económico.

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