A Presidente da Comissão Executiva do Banco Millennium Atlântico, Isabel Espírito Santo, admite que o sector bancário angolano evoluiu, mas ainda não atingiu o nível tecnológico necessário para responder às exigências de escala, eficiência e inclusão financeira. “A transformação tecnológica ainda é insuficiente e exige um esforço contínuo”, afirma, num ano em que o banco cresceu 31% em resultado líquido e ultrapassou os 3,7 milhões de clientes.
O Atlântico reforçou a automação, digitalizou processos e expandiu o selfbanking, permitindo reduzir tempos de resposta e melhorar a experiência do cliente.
Segundo a CEO, “a tecnologia permite responder com maior rapidez, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do cliente”, num contexto em que o consumidor bancário se tornou mais digital e exigente.
A emissão automática de cartões, a expansão do mobile banking e a integração de ferramentas de análise avançada são hoje pilares da operação, mas a aposta tecnológica não se limita à eficiência interna: é também um instrumento para melhorar o financiamento da economia real.
O banco, destaca, reforçou o apoio à indústria transformadora, logística, fertilizantes, bens essenciais, MPME e empreendedorismo feminino e tem equipas dedicadas à estruturação de projectos complexos.
“O ATLANTICO tem estruturado o apoio aos sectores reais através de equipas especializadas e integralmente dedicadas à estruturação e acompanhamento de financiamentos estruturantes”, afirma a CEO.
Entretanto, a utilização de analytics e IA está a ser expandida para melhorar a avaliação de risco e o acompanhamento de projectos.
Projectos frágeis, volatilidade e maturidade tecnológica desigual.
Apesar dos avanços, a CEO identifica obstáculos que continuam a limitar o financiamento produtivo, nomeadamente a volatilidade macroeconómica, a fraca estruturação de alguns projectos, a morosidade judicial e a maturidade tecnológica desigual entre agentes económicos.
A tecnologia, afirma, é parte da solução, mas não substitui a necessidade de projectos sólidos e de um ambiente institucional mais previsível.
O que vem a seguir: modernização do core, IA e capacitação.
O Atlântico define quatro prioridades tecnológicas para os próximos anos: modernização do core bancário, reforço de analytics e inteligência artificial, cibersegurança e resiliência operacional, e capacitação tecnológica das equipas.
A CEO resume o caminho: “A trajectória é positiva, mas exige continuidade e investimento estrutural.”
Com uma base de clientes em rápido crescimento e um mercado cada vez mais competitivo, o Atlântico posiciona-se para liderar a próxima fase da modernização financeira em Angola — onde tecnologia, dados e eficiência serão determinantes para apoiar a diversificação económica.