Mercado & Finanças

“Mercado de capitais acelera maturidade e reforça papel no financiamento da economia”, diz presidente da CMC

O mercado de capitais angolano entrou numa nova fase de profundidade e relevância sistémica. A capitalização bolsista disparou 202% em 2025, o número de negócios atingiu um máximo histórico e operações como o IPO do BFA consolidaram a bolsa como alternativa real ao financiamento bancário. A avaliação é de Elmer Serrão, presidente da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), que garante: “o mercado de capitais tem-se tornado cada vez mais relevante para o financiamento da economia”.

Em entrevista ao Banca em Análise 2026, da Deloitte, Serrão sublinha que 2025 marcou um ponto de viragem: a capitalização bolsista atingiu Kz 4,1 biliões, o número de negócios cresceu 259% e foram abertas 12.875 novas contas na CEVAMA.
O presidente da CMC destaca que o mercado já demonstra sinais claros de maturidade: “O IPO do BFA, a emissão das obrigações pelo BAI e o primeiro papel comercial da Etu Energias são sinais de maturidade deste segmento do sistema financeiro.”

Além das operações de bolsa, os fundos de capital de risco supervisionados pela CMC já acumulam Kz 44,2 mil milhões investidos em sectores estratégicos como saúde, agronegócio e mineração.
Tecnologia como pilar de transparência e eficiência
A digitalização é hoje um dos motores centrais da evolução do mercado.

Segundo Serrão, “a tecnologia deixou de ser um acessório operacional para se afirmar como condição estrutural de um mercado eficiente, transparente e passível de supervisionar.”
A CMC, explica, acelerou a digitalização dos processos de registo, reporte e supervisão, permitindo, prazos de resposta mais curtos, dados mais estruturados e comparáveis, maior capacidade de análise de risco e uma supervisão baseada no risco com maior granularidade.

O crescimento histórico do número de transacções em 2025 só foi possível graças às plataformas electrónicas da BODIVA e dos intermediários financeiros, reforça.

Maturidade tecnológica: avanços claros, mas caminho ainda longo
Apesar dos progressos, Serrão reconhece que o nível de maturidade tecnológica dos agentes de mercado ainda não é suficiente para suportar um crescimento estrutural.
“O importante não é onde estamos hoje, mas a trajectória que estamos a seguir — e essa trajectória é positiva”, defende.

A CMC posiciona-se como regulador e parceiro, orientando e criando condições para que a inovação tecnológica aconteça de forma segura e progressiva.
Reformas estruturantes para 2027: SGPS, EFI e IFRS

Segudo o PCA, o plano estratégico 2023–2027 da CMC inclui reformas profundas, como a Reforma das SGPS e do regime fiscal, a transformação das SCVM, SDVM e SGP em Empresas Financeiras de Investimento (EFI), ou a adopção das IAS/IFRS para IFNB e OIC.

Também está prevista uma nova estrutura de requisitos prudenciais, actualização dos capitais mínimos das EFI, a Supervisão pública da auditoria externa às EIP, bem como o Reforço da autonomia financeira da CMC.

Estas medidas visam modernizar a arquitectura institucional, proteger investidores e reforçar a estabilidade do sistema financeiro.
Um mercado mais competitivo, inclusivo e resiliente
A visão é clara: criar um mercado capaz de atrair novos participantes, ampliar fontes de financiamento e apoiar a diversificação económica.
“Pretende-se criar um ambiente de mercado mais competitivo, inclusivo e resiliente, capaz de atrair novos participantes e ampliar as fontes de financiamento do sector privado e público”, explica

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