Mercado & Finanças

BCE sobe taxas pela primeira vez desde Setembro de 2023

O Banco Central Europeu aumentou esta quinta-feira as taxas de juro directoras em 25 pontos base, pondo fim a um ciclo que incluiu nove descidas consecutivas desde Junho de 2024. A causa é directa: a guerra no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz estão a gerar pressões inflacionistas que o BCE já não pode ignorar.

O BCE subiu as taxas de juro pela primeira vez desde Setembro de 2023. A decisão, anunciada esta quinta-feira pelo Conselho do banco central, representa uma inversão abrupta de um ciclo que parecia consolidado: depois de manter as taxas em 4% durante meses, o BCE iniciou em Junho de 2024 um ciclo de descidas que se traduziu em nove reduções consecutivas de 25 pontos base, até estabilizar nos 2% em meados de 2025. Agora, pela primeira vez em quase três anos, a tendência reverte.

A justificação é explícita no comunicado: “a guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas.” O encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, elevou os preços da energia e ameaça contaminar a inflação subjacente na zona euro. O BCE considera que a subida de 25 pontos base “se apresenta robusta face a um conjunto de cenários” que mapeiam como o choque poderá evoluir.

O tom do comunicado é de incerteza controlada. O BCE admite que “as perspectivas se mantêm incertas, com riscos em sentido ascendente para a inflação e em sentido descendente para o crescimento económico” — o duplo risco que os economistas designam como estagflação. As “plenas implicações da guerra para a inflação e o crescimento a médio prazo”, escreve o banco central, “dependerão da intensidade e da duração do choque sobre os preços dos produtos energéticos, assim como da magnitude dos seus efeitos indirectos e de segunda ordem.”

A decisão coloca o BCE num terreno difícil. Subir taxas para conter a inflação importada pela guerra arrisca agravar uma desaceleração económica que o próprio conflito já está a provocar. Não subir significaria deixar desancorar as expectativas de inflação que o banco levou anos a estabilizar. A escolha desta quinta-feira foi a segunda opção — e o comunicado deixa em aberto se haverá mais subidas.

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