O Governo angolano iniciou os preparativos para a participação na 9.ª edição da China International Import Expo (CIIE), que decorre em Novembro de 2026, em Xangai, numa aposta estratégica para promover produtos nacionais, diversificar exportações e consolidar as relações económicas entre Angola e a China, principal parceiro comercial de Luanda.
Angola está a preparar a participação na 9.ª edição da China International Import Expo (CIIE), que decorre de 5 a 10 de Novembro de 2026, em Xangai, numa iniciativa que o Executivo considera estratégica para reforçar a presença dos produtos nacionais no mercado chinês e aprofundar a cooperação económica entre os dois países.
Os preparativos foram analisados numa reunião técnica orientada pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns, e que reuniu representantes do Ministério da Indústria e Comércio (MINDCOM) e da Zona Económica Especial (ZEE) ligados à promoção do comércio e do investimento.
Durante o encontro, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China (CAC), Luís Cupenala, apresentou o plano de participação angolana no certame, destacando a dimensão internacional da feira e o seu potencial para impulsionar as exportações africanas para a China.
Segundo Luís Cupenala, a China encara a CIIE como um evento de referência global, reunindo anualmente dezenas de países, entre os quais mais de 53 nações africanas, criando oportunidades para a entrada de produtos africanos num mercado com mais de 1,4 mil milhões de consumidores.
A participação angolana deverá centrar-se na promoção de produtos nacionais, captação de investimento estrangeiro e diversificação das exportações, num momento em que Luanda procura reduzir a dependência do petróleo e aumentar o peso de sectores como a agricultura, agro-indústria, pescas, minerais e transformação industrial.
Relações estratégicas
A China é actualmente o principal parceiro comercial de Angola e um dos maiores financiadores da reconstrução e modernização das infra-estruturas do país desde o fim da guerra civil, em 2002.
As relações entre Luanda e Pequim intensificaram-se sobretudo a partir da década de 2000, com Angola a recorrer a linhas de crédito chinesas garantidas pelo petróleo para financiar obras públicas, estradas, caminhos-de-ferro, hospitais, escolas, barragens e habitação social.
Empresas chinesas participaram em alguns dos maiores projectos de reconstrução nacional, incluindo a recuperação do Caminho-de-Ferro de Benguela, a construção de centralidades habitacionais e várias empreitadas rodoviárias e energéticas.
Nos últimos anos, porém, a cooperação bilateral começou a evoluir para além do sector petrolífero e das obras públicas, com Angola a tentar posicionar-se como fornecedor de produtos agrícolas e minerais para o mercado chinês, ao mesmo tempo queprocura atrair investimento privado em sectores produtivos.
A participação regular de Angola em iniciativas económicas promovidas por Pequim, como o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) e a própria China International Import Expo, é vista pelo Executivo angolano como uma plataforma para consolidar essa nova fase das relações bilaterais, mais centrada no comércio, industrialização e diversificação económica.