As exportações angolanas de bens cresceram 12,3% no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas por um aumento de 21,9% nas receitas do petróleo bruto. Em sentido contrário, as importações globais recuaram 17,1% — e as importações alimentares caíram 29,2%, num sinal de que as políticas de estímulo à produção nacional e substituição de importações estão a produzir efeitos mensuráveis. Os dados foram apresentados na primeira reunião ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, presidida pelo Presidente João Lourenço.
As reservas internacionais encerraram o trimestre em 15,9 mil milhões de dólares.
Na mesma reunião, o Executivo aprovou um pacote de medidas de estímulo à produção de bens essenciais que combina incentivos financeiros com obrigações regulatórias. Do lado dos incentivos, estão previstas reduções das taxas de juro para o setor agropecuário. Do lado das obrigações, importadores de carne de porco, frango, determinadas categorias de arroz e açúcar e tilápia ficam obrigados a adquirir pelo menos 20% de produção nacional.
É uma intervenção directa no mercado — e uma aposta clara na substituição de importações como instrumento de política económica, numa altura em que a queda das importações alimentares sugere que a produção interna está a ganhar terreno.
A reunião apreciou também o balanço do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 referente ao primeiro trimestre. O retrato é misto. Das 548 acçõesiniciadas, foram materializadas 194 das 284 prioridades previstas — uma taxa de 67,6%. Dos 398 indicadores em acompanhamento, 56 superaram os 100% de execução e 48 situaram-se entre 50% e 100%. Mas 149 indicadores ficaram abaixo dos 50% — o que o documento justifica com o facto de decorrerem de “acções de natureza qualitativa” a concretizar ao longo do ano.
Investimento público: 13% dos projectosconcluídos
No Programa de Investimento Público, o primeiro trimestre regista 3.597 projectos inscritos — 988 afetos à administração central e 2.609 à administração local. Apenas 473 estão concluídos, cerca de 13% do total. A taxa de execução financeira foi de 33,7%, com despesas liquidadas de cerca de 1.628 milhões de euros sobre um orçamento de execução de aproximadamente 4.829 milhões de euros.
O executivo reconhece “desafios prevalecentes no atual contexto económico, fundamentalmente a nível da capacidade de financiamento” — uma formulação que, traduzida, significa que o dinheiro não chega para tudo. Ainda assim, sublinha ter melhorado os mecanismos de acompanhamento e fiscalização do plano, apontando-o como fator de contribuição para “a recuperação gradual da actividade económica, a inversão da trajectória de crescimento da inflação, a redução da taxa de desemprego e a sustentabilidade das contas externas.”
Os números do trimestre mostram uma economia que exporta mais, importa menos alimentos e executa o seu plano de desenvolvimento a um ritmo que ainda deixa muita margem para acelerar.