Angola registou mais de 2,59 milhões de desempregados no primeiro trimestre de 2026, com a taxa de desemprego a subir para 21,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O desemprego jovem manteve-se particularmente elevado, atingindo 40,7%, enquanto cerca de oito em cada dez trabalhadores continuaram no sector informal.
O número de desempregados em Angola aumentou 15,5% face ao quarto trimestre de 2025, passando de 2,24 milhões para 2,59 milhões de pessoas, de acordo com os dados do Inquérito sobre o Emprego em Angola (IEA), divulgados pelo INE. No mesmo período, a taxa de desemprego agravou-se em 1,1 pontos percentuais, subindo de 20,2% para 21,3%.
Os jovens entre os 15 e os 24 anos continuam a ser os mais afectados pela falta de emprego. A taxa de desemprego nesta faixa etária fixou-se em 40,7%, quase o dobro da média nacional, o que significa que quatro em cada dez jovens estavam sem trabalho no primeiro trimestre do ano. Entre as mulheres, o desemprego atingiu 23,4%, acima dos 19,3% registados entre os homens.
Apesar da deterioração dos indicadores do desemprego, o número de pessoas empregadas também aumentou. Segundo o levantamento do INE, a população empregada cresceu 7,7%, passando de 8,87 milhões no último trimestre de 2025 para 9,56 milhões nos primeiros três meses deste ano, o equivalente à criação de 686.090 postos de trabalho.
O inquérito indica ainda que a população em idade activa, composta por pessoas com 15 ou mais anos, cresceu 0,8% no período em análise, representando mais 183,8 mil pessoas.
Do total da população activa, 9,56 milhões de pessoas, correspondentes a 42,3%, declararam ter exercido alguma actividade laboral, seja por conta de outrem, trabalho por conta própria, estágios ou apoio em negócios familiares.
Os dados do INE mostram também que o sector informal continua a dominar o mercado de trabalho angolano. Cerca de 7,57 milhões de trabalhadores, equivalentes a 79,3% da população empregada, exerciam actividade sem vínculo laboral formal ou protecção social.
Entre os empregados, a maioria trabalhava em empresas privadas não agrícolas, representando 68,8% do total, enquanto apenas 9,6% exerciam funções no sector público ou em empresas estatais.
Por sectores de actividade, o comércio por grosso e a retalho, incluindo a reparação de veículos automóveis e motociclos, manteve-se como o principal empregador, concentrando 33,3% da população ocupada. Seguem-se a agricultura, silvicultura e pesca, com 18,3%, e a indústria transformadora, com 4,9%.
Quanto às profissões, os trabalhadores dos serviços e vendas constituíram o maior grupo da população empregada, representando 42,9% do total, seguidos pelos trabalhadores qualificados da agricultura, silvicultura e pesca, com 18%, e pelos artesãos e trabalhadores de ofícios relacionados, com 11,3%.