Mercado & Finanças

Petróleo dispara com tensão e mercados financeiros estão sob pressão

Oscilações no preço do crude agitam bolsas mundiais e aumentam receios de inflação e subida das taxas de juro, enquanto investidores aguardam resultados da Nvidia.

Os mercados financeiros internacionais registaram fortes oscilações esta segunda-feira, pressionados pela subida dos preços do petróleo em consequência do agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irão.

O preço do barril de Brent, referência internacional do crude, chegou a ultrapassar os 112 dólares durante a madrugada, depois de o Presidente norte-americano, DonaldTrump, ter endurecido o tom contra Teerão numa publicação nas redes sociais. Mais tarde, os preços moderaram ligeiramente perante expectativas de um eventual acordo que permita normalizar o fluxo de petróleo através do Golfo Pérsico.

Ainda assim, o Brent seguia nos 111,12 dólares por barril, acima dos cerca de 70 dólares registados antes do início do conflito.

A volatilidade no mercado petrolífero acabou por contagiar as bolsas mundiais. Em Wall Street, o índice S&P 500 oscilava entre ganhos e perdas, enquanto o Nasdaq recuava 0,7%, apesar de permanecer próximo dos máximos históricos atingidos na semana passada. O Dow Jones registava uma queda ligeira.

Na Europa, a bolsa de Paris recuperou de perdas superiores a 1% para terreno positivo, beneficiando da ligeira descida do petróleo ao longo da sessão. Na Ásia, o índice Nikkei, do Japão, encerrou com perdas de 1%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,1%.

Os mercados obrigacionistas continuam igualmente sob forte pressão, com os investidores receosos de que a subida dos preços da energia provoque nova vaga inflacionista e obrigue os bancos centrais a manter ou até aumentar as taxas de juro.

A taxa das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos subiu para 4,6%, aproximando-se dos níveis mais elevados dos últimos meses. No Japão, as yields das obrigações soberanas atingiram valores não vistos desde o final da década de 1990.

Analistas alertam que juros mais elevados podem travar o crescimento económico global, encarecendo o crédito para famílias e empresas. O sector tecnológico, particularmente dependente de financiamento para grandes investimentos em inteligência artificial e centros de dados, surge entre os mais expostos.

Entre as empresas em destaque na bolsa norte-americana esteve a Dominion Energy, que valorizou quase 10% após a NextEraEnergy anunciar a compra da companhia numa operação realizada através de troca de acções. Já a farmacêutica Regeneron caiu mais de 10% depois de divulgar resultados decepcionantes num ensaio clínico para tratamento de melanoma.

A Delta Air Lines também registou ganhos, impulsionada pela descida temporária dos preços do petróleo e pela notícia de que a Berkshire Hathaway reforçou a sua posição na companhia aérea.

O clima de instabilidade agravou-se ainda mais depois de um ataque com dronesatingir, no domingo, a única central nuclear dos Emirados Árabes Unidos. Apesar de não terem sido registados feridos nem fuga radioactiva, o incidente reacendeu receios de uma escalada militar na região, numa altura em que o cessar-fogo entre Irão e Israel continua frágil.

Os investidores aguardam agora os resultados trimestrais da Nvidia, previstos para quarta-feira, considerados decisivos para avaliar se o sector da inteligência artificial continuará a sustentar os máximos históricos das bolsas norte-americanas. Também empresas como Walmart, Target e Home Depot apresentam contas esta semana.

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