O Senado norte-americano confirmou Kevin Warsh como novo presidente da Reserva Federal (Fed), abrindo um novo ciclo na política monetária dos Estados Unidos marcado pela pressão do Presidente DonaldTrump para a descida das taxas de juro e por dúvidas sobre a independência do banco central.
Kevin Warsh foi aprovado por 54 votos contra 45 e substituirá Jerome Powell à frente da Fed quando o mandato do actual presidente terminar, a 15 de Maio.
A nomeação foi apoiada pela maioria republicana, mas enfrentou forte oposição democrata, devido a receios de que o novo líder do banco central possa ceder à pressão política da Casa Branca.
Donald Trump tem intensificado os ataques à Reserva Federal desde o seu regresso ao poder, criticando repetidamente Jerome Powell por não reduzir as taxas de juro de forma mais agressiva. O Presidente norte-americano chegou mesmo a ameaçar demitir Powell e apoiou investigações judiciais relacionadas com a gestão das obras de renovação da sede da Fed, num clima de tensão sem precedentes entre a Casa Branca e o banco central.
Durante a audição de confirmação no Senado, Kevin Warsh rejeitou acusações de que seria um “instrumento político” de Trump, insistindo que pretende preservar a credibilidade e a independência da instituição. Ainda assim, a sua chegada ocorre num momento particularmente delicado para a economia norte-americana.
A escalada do conflito com o Irão agravou os riscos inflacionistas, impulsionando os preços da energia e reduzindo as expectativas de cortes nas taxas de juro nos próximos meses.
Os mercados financeiros começaram mesmo a admitir a possibilidade de novas subidas de juros em 2026, caso a inflação continue pressionada pelo aumento dos custos energéticos.
Jerome Powell, cujo mandato como presidente termina esta semana, anunciou, entretanto, que permanecerá na Fed até 2028, argumentando que os ataques políticos à instituição ameaçam a capacidade do banco central de conduzir a política monetária sem interferências partidárias.
A continuidade de Powell poderá criar um ambiente de tensão interna na instituição, sobretudo porque Warsh já sinalizou intenção de promover mudanças profundas na estratégia e comunicação do banco central.
Antigo governador da Reserva Federal entre 2006 e 2011 e veterano de Wall Street, Kevin Warsh defende uma revisão da política de compra de activos, alterações nos indicadores económicos usados pela instituição e uma nova abordagem à comunicação das decisões monetárias. A primeira reunião de política monetária presidida por Warsh está marcada para 16 e 17 de Junho.