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Dangote aposta em Mombasa para a maior refinaria da África Oriental

Aliko Dangote, presidente do Grupo Dangote Industries e o homem mais rico de África

O bilionário nigeriano Aliko Dangote está a inclinar-se para Mombasa, no Quénia, como localização preferencial de uma refinaria de grande escala destinada a servir o mercado da África Oriental, preterindo Tanga, na Tanzânia, que era até agora a opção em cima da mesa. A revelação foi feita ao Financial Times pelo próprio Dangote, que apontou vantagens logísticas e comerciais de Mombasa como razões determinantes — mas deixou a decisão final nas mãos do presidente queniano William Ruto.

O projecto tem uma dimensão que impressiona: uma capacidade de refinação de cerca de 650 mil barris por dia e um custo estimado entre 15 e 17 mil milhões de dólares — valores sem precedentes na região.

A lógica de Dangote é sobretudo portuária e comercial. Mombasa dispõe de um porto mais profundo do que Tanga, o que facilita a importação de equipamentos pesados, a exportação de produto refinado e a logística de grande escala. A isso acresce o facto de o Quénia ser um mercado de combustíveis maior e com uma economia mais robusta, o que melhora a viabilidade económica do investimento. “A bola está nas mãos” de Ruto, disse Dangote — uma formulação que tanto sinaliza abertura como deixa claro que sem apoio político e regulatório do Estado queniano o projecto não avança.

Angola à margem, por agora

A concentração no Quénia não significa que Dangote ignore o resto do continente. O empresário visitou recentemente Angola, onde foi recebido pelo Presidente João Lourenço, numa agenda que incluiu oportunidades em petróleo, gás, cimento e agricultura, e onde o grupo formalizou intenções de criar uma subsidiária local. Mas Angola surge, por agora, como aposta de diversificação — não como prioridade imediata no sector da refinação.

A preferência por Mombasa tem uma dimensão que ultrapassa o cálculo empresarial. Em abril de 2026, reportagens davam conta de que países da África Oriental discutiam em conjunto uma refinaria em Tanga, modelada na instalação que Dangote construiu na Nigéria. A eventual escolha do Quénia reacenderia a competição entre os dois corredores logísticos regionais — e entre Nairobi e Dar es Salaam pela liderança económica na África Oriental.

Por agora, nada está fechado. Dangote sinalizou uma preferência, não tomou uma decisão. O projecto continua dependente de negociações com o governo queniano e de compromissos concretos em matéria regulatória. Se Ruto responder, Mombasa poderá acolher a maior refinaria da África Oriental. Se não, Tanga continua na corrida.

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