Internacional

Lula de visita oficial aos Estados Unidos a pouco meses das eleições presidenciais no Brasil 

A seis meses das presidenciais, empatado nas sondagens com Flávio Bolsonaro e enfraquecido no Parlamento, o Presidente brasileiro precisa de uma imagem de popularidade entre negociações difíceis. 

Luiz Inácio Lula da Silva aterrou em Washington com uma agenda oficial repleta de dossiers difíceis — terras raras, crime organizado, tarifas comerciais, o sistema de pagamentos Pix sob investigação americana. Mas o que o Presidente brasileiro realmente foi buscar à Casa Branca é mais simples e mais urgente: uma imagem de estadista que possa apresentar aos eleitores brasileiros antes das presidenciais de Outubro.

Lula tem 80 anos, encaixes políticos cada vez mais estreitos no Parlamento e um problema sério nas sondagens: está empatado com Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-Presidente que cumpre 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Numa democracia onde a segurança é a principal preocupação dos eleitores, ser recebido na Casa Branca por Donald Trump — o homem que classificou os cartéis de droga como organizações terroristas e que derrubou Nicolás Maduro na Venezuela — tem um valor político que nenhum acordo bilateral consegue replicar.

A relação entre Lula e Trump é ideologicamente impossível e pragmaticamente inevitável. Em 2025, Lula acusou Trump de querer “tornar-se o imperador do mundo” e condenou veementemente tanto a intervenção na Venezuela como a guerra contra o Irão ao lado de Israel. “Sou contra qualquer ingerência política, seja qual for o país”, disse em Abril. E, no entanto, está em Washington. E Trump recebe-o.

O primeiro encontro oficial, em Outubro na Malásia, foi descrito como cordial — os dois líderes admitem uma “química pessoal” que a ideologia não consegue apagar. Washington, entretanto, aliviou a sobretaxa punitiva imposta ao Brasil, num gesto que facilitou a visita. A reciprocidade de Lula é a própria deslocação: legitimar Trump como interlocutor global num momento em que muitos aliados ocidentais mantêm distância.

As terras raras que a América quer e o Pix que a incomoda

Por baixo da diplomacia de cúpula, há interesses concretos em jogo. O Brasil tem as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, a seguir à China — e os Estados Unidos precisam urgentemente de alternativas à dependência de Pequim para os minerais essenciais à tecnologia e à defesa. “Os investimentos estrangeiros são bem-vindos, mas queremos estimular a industrialização através da criação de empregos altamente qualificados”, avisou o ministro das Finanças, Dario Durigan — uma forma elegante de dizer que o Brasil não vai simplesmente escavar e exportar.

Do lado americano, há também uma queixa incomum: o Pix, o sistema de transferências bancárias gratuitas lançado em 2020, que processou sete mil milhões de transações só em Janeiro e ultrapassou o uso de cartões bancários no Brasil. Washington está a investigar se o Pix prejudica a competitividade das empresas americanas de pagamentos — um argumento que em Brasília soa a proteccionismo disfarçado de regulação.

O pano de fundo da visita é a eleição que se aproxima. Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe, continua a ser a maior força política da direita brasileira — agora representada pelo filho Flávio nas sondagens. Para Lula, que chegou a Washington “enfraquecido”, o dividendo político de uma visita oficial à Casa Branca pode não ser suficiente para virar o jogo. Mas em política, uma fotografia com o homem certo no momento certo já mudou eleições com menos.

Relacionadas

Angola lança o Convention Bureau e quer ser “a sala

Com a economia não petrolífera a crescer 5,11% em 2025

João Lourenço diz que o conflito no Médio Oriente provou

O Presidente João Lourenço defende a saída da OPEP e

Lula de visita oficial aos Estados Unidos a pouco meses

A seis meses das presidenciais, empatado nas sondagens com Flávio